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Lucro da Cogna soma R$220 mi no 4º tri com receita afetada por cronograma do PNLD

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 11 Mar (Reuters) - A Cogna teve lucro líquido de R$220 milhões no quarto trimestre do ano passado, abaixo das previsões de analistas, em desempenho afetado pelo adiamento do cronograma do Programa Nacional do Livro Didático pelo Governo Federal e efeitos de reversão de contingências em 2024.

O resultado representou uma queda de 76,2% em relação ao mesmo período de 2024, quando a última linha do balanço do grupo de educação refletiu reversões de contingências devido a processos de Imposto de Renda sobre o ágio, de R$806,8 milhões.

Excluindo o reconhecimento de IR diferido e a reversão de contingência nos últimos três meses de 2024, o lucro no quarto trimestre de 2025 cresceu 84,9%.

A receita líquida da companhia, por sua vez, avançou 1,9%, para R$2,2 bilhões, afetada pelo desempenho da divisão Saber, de materiais didáticos, idiomas e produtos de reforço de aprendizagem para prefeituras e governos, com o deslocamento no faturamento relacionado ao PNLD do Governo Federal.

Projeções compiladas pela LSEG apontavam lucro líquido de R$334,2 milhões no quarto trimestre, com receita líquida de R$2,3 bilhões, considerando a média das estimativas.

De acordo com o presidente-executivo da Cogna, Roberto Valério Neto, havia a expectativa de reconhecimento de receita relacionada ao PNLD no quarto trimestre, mas o faturamento das compras de livros do Ensino Médio no âmbito do PNLD foi postergado para o primeiro trimestre deste ano. Excluindo esse efeito, a receita líquida da Cogna teria crescido 12,1%, acrescentou.

"O faturamento do PNLD não veio no quarto trimestre, mas virá no primeiro trimestre e será muito bom", disse o executivo à Reuters, adiantando um impacto positivo de aproximadamente R$ 166,6 milhões em receita e de R$52,3 milhões no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente.

No quarto trimestre, o Ebitda recorrente somou R$769,1 milhões, queda de 5,3% em relação ao mesmo período do ano passado, em desempenho afetado também pela reversão de provisão de contingências na unidade de educação superior Kroton no quarto trimestre de 2024, no valor de R$35 milhões.

Desconsiderando os efeitos em Saber e Kroton, o Ebitda recorrente da Cogna teria crescido aproximadamente 5,4%.

A margem Ebitda recorrente no quarto trimestre passou para 34,9%, de 37,6% um ano antes, e a avaliação do presidente é de que essa linha do balanço deve continuar pressionada ao longo do tempo, em parte, devido a um maior crescimento nos cursos presenciais, que têm receitas maiores, mas custos mais elevados também.

No final do segundo semestre de 2025, a base de alunos total da Kroton no presencial registrou expansão de 7,4%, enquanto no ensino a distância (EAD) houve incremento de apenas 2,9%.

"As nossas margens percentuais vão ficar pressionadas, mas nosso Ebitda, em volume, deve crescer", afirmou.

Em relação ao ciclo de captação do primeiro semestre de 2026, Valério Neto afirmou que as matrículas no presencial estão mostrando crescimento de "duplo dígito", assim como os cursos semipresenciais, mas o EAD mostra queda, o que afeta os volumes totais, mas a receita ainda cresce.

GERAÇÃO DE CAIXA

A geração de caixa operacional após investimento (GCO) totalizou R$335,3 milhões no quarto trimestre, versus R$337,3 milhões um ano antes, também afetada pelo descasamento do recebimento do PNLD, enquanto geração de caixa livre somou R$132,3 milhões, de R$199,4 milhões no mesmo período do ano anterior.

As prioridades em termos de alocação de capital da Cogna, de acordo com o presidente-executivo da empresa, continuam sendo redução de dívida, para diminuir a despesa financeira, e retorno ao acionista, mas aquisições estratégicas não estão descartadas.

No final do quarto trimestre, a companhia tinha uma dívida líquida de R$2,84 bilhões, de R$2,88 bilhões um ano antes, com uma alavancagem medida pela dívida líquida em relação ao Ebitda ajustado de 1,21 vez, contra 1,35 vez no final de 2024.

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