Uma nova leitura de informações coletadas há mais de uma década trouxe à tona uma descoberta que anima os cientistas que investigam a possibilidade de vida fora da Terra. Encélado, uma pequena lua coberta de gelo que orbita Saturno, abriga em seu oceano escondido uma química muito mais rica e sofisticada do que se imaginava. Entre as substâncias identificadas estão moléculas orgânicas complexas nunca antes detectadas nos jatos de vapor que a lua expele para o espaço.
Os dados vêm de uma sonda que passou anos estudando o sistema de Saturno e cruzou várias vezes as plumas de material que escapam pela superfície congelada de Encélado. O momento decisivo ocorreu em um sobrevoo especialmente veloz, em que a nave atravessou partículas recém-lançadas a altíssima velocidade. Esse encontro rápido e com material fresco preservou os compostos, permitindo que instrumentos a bordo captassem detalhes que antes se perdiam quando as moléculas de água se fragmentavam no impacto.
A análise revelou a presença de compostos que combinam oxigênio e nitrogênio, além de moléculas que podem servir de matéria-prima para peças fundamentais da biologia, como os blocos que formam o material genético e as gorduras que constituem as membranas das células. Para os pesquisadores, isso reforça que a lua reúne três ingredientes considerados essenciais para a vida: água líquida, uma fonte de energia e a química apropriada. Ainda assim, eles fazem questão de lembrar que não há qualquer prova de que exista, de fato, algum organismo vivo por lá.
A descoberta transforma Encélado em um dos alvos mais promissores para futuras missões que busquem sinais de vida no Sistema Solar. Se um mundo com todos esses elementos ainda assim se mostrar estéril, isso indicaria que a vida precisa de algo a mais para surgir. A resposta definitiva, no entanto, só deve chegar quando uma nova espaçonave voltar até essa lua gelada para mergulhar mais fundo em seus mistérios e, quem sabe, em seu oceano oculto.




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