Por Amy Tennery
15 Jun (Reuters) - O técnico de Senegal, Pape Thiaw, era um jogador reserva 24 anos atrás quando seu país derrotou a França por 1 x 0, uma zebra famosa na Copa do Mundo, e agora está pronto para assumir o volante quando as duas seleções se enfrentarem em uma revanche muito aguardada.
Senegal estreia contra a França nesta terça-feira pelo Grupo I da Copa do Mundo, o que passará uma sensação desconfortável de déjà vu para os Bleus, cuja derrota na abertura do torneio de 2002 para a potência africana foi o prenúncio de uma desastrosa eliminação precoce.
Para Thiaw, que agora está no comando de Senegal, o jogo em East Rutherford, Nova Jersey, representa um ciclo sendo fechado.
“Estarei no banco e isso é um pouco especial. Eu também estava no banco em 2002 porque não pude jogar e amanhã (terça-feira) estarei no banco também, mas com as chaves do cofre”, disse aos repórteres por meio de um intérprete nesta segunda-feira.
Senegal, que foi controversamente destituído do título da Copa Africana das Nações no início deste ano, está ansioso para provar que é o verdadeiro campeão do continente, após o futebol africano ganhar espaço no maior palco do mundo com a histórica campanha de Marrocos até as semifinais quatro anos atrás.
"O futebol africano mudou muito nos últimos anos. Vimos isso na última Copa do Mundo... não é mais uma surpresa", disse Thiaw. "É uma surpresa se Senegal vencer a França? Bem, não, porque temos jogadores de primeiro nível."
Senegal se classificou para as últimas três Copas do Mundo e Thiaw disse que sua equipe está em plena forma e pronta para a ação.
Ele evitou responder a perguntas de cunho político em várias ocasiões na entrevista coletiva desta segunda-feira, dizendo que preferia “se manter com o esporte”. Mas era quase impossível ignorar a política antes da partida entre Senegal e seus antigos colonizadores.
Vídeos mostrando jogadores de Senegal sendo revistados pela segurança de aeroporto dos EUA viralizaram no início deste mês. A federação de futebol do país agiu rapidamente para acalmar as acusações de tratamento discriminatório.
Torcedores senegaleses tiveram seus vistos negados para assistir ao torneio nos EUA, segundo reportagens da imprensa publicadas na semana passada, resultado das restrições de viagem do presidente dos EUA, Donald Trump, o que levou um repórter a questionar se era justo a equipe jogar sem torcedores nas arquibancadas.
“É claro que gostaríamos de ter nossos torcedores, sabemos o que eles podem fazer por nós”, disse Thiaw. “Mas temos uma grande comunidade senegalesa (nos EUA) e sabemos que os senegaleses são muito patriotas... vocês verão isso na partida. Nem vão acreditar que nenhum senegalês veio de Senegal.”
Senegal joga contra a França às 16h (horário de Brasília) na terça-feira, antes de enfrentar Noruega e Iraque.
(Reportagem de Amy Tennery em Nova York;)




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