Por Rory Carroll
BEVERLY HILLS, Califórnia, 11 de julho (Reuters) - Quando jogadores de futebol se chocam no ar, o custo nem sempre se resume a concussões, ligamentos rompidos ou tornozelos torcidos.
Às vezes, é um nariz quebrado — um jato de sangue, alguns minutos de atendimento à beira do gramado, talvez uma máscara protetora e um rápido retorno ao jogo — que se torna uma lesão duradoura que deixa o atleta com dificuldade para respirar muito tempo depois do fim do jogo.
É um risco que, segundo o médico Farhad Ardesh, cirurgião plástico facial de Beverly Hills, continua sendo um dos mais subestimados do futebol.
“Às vezes, uma lesão leve por fora pode causar danos graves por dentro”, disse Ardesh, que já tratou atletas profissionais, incluindo jogadores de futebol.
“Pode ser que o nariz pareça apenas um pouco inchado ou um pouco torto, mas, na verdade, o interior do nariz apresenta um padrão em zigue-zague ou uma deformidade em forma de S que está afetando muito a respiração desse jogador.”
Com vários jogadores na Copa do Mundo de 2026 competindo com máscaras faciais de proteção após lesões na mandíbula ou no rosto, os traumas ocultos do futebol têm se tornado cada vez mais visíveis.
O inglês Djed Spence, o austríaco Stefan Posch e o goleiro argelino Luca Zidane jogaram com proteção facial. Outros casos recentes de grande repercussão incluem o francês Kylian Mbappé usando uma máscara para proteger seu nariz quebrado na Eurocopa de 2024 e a máscara protetora do croata Josko Gvardiol na Copa do Mundo de 2022.
Para os espectadores, a máscara pode parecer um símbolo de tenacidade. Para cirurgiões como Ardesh, muitas vezes é um sinal dos efeitos de um trauma.
“O rosto fica muito frágil após uma lesão, seja ela causada por um trauma, como levar uma cotovelada, ou por uma cirurgia”, disse Ardesh. “Queremos proteger o osso.”
"UM GANCHO DE DIREITA NO ROSTO"
Ardesh disse que as lesões faciais sofridas durante a prática do futebol podem se assemelhar às do boxe ou das artes marciais mistas.
“As pessoas não pensam no futebol como um esporte de combate”, afirmou. “Mas temos atletas de elite que correm o mais rápido que é humanamente possível e saltam muito alto. Quando se trata de um cotovelo ou um ombro acertando diretamente o nariz, é mais ou menos como levar um gancho de direita no rosto.”
A bola em si raramente é a causa principal, disse. Na maioria das vezes, as lesões são causadas por cabeçadas, ombros, cotovelos, joelhos, pés ou quedas.
O nariz é especialmente vulnerável devido à sua posição e estrutura.
“O nariz é o que se projeta do nosso rosto”, disse Ardesh. “É a primeira coisa que provavelmente vai sofrer qualquer tipo de impacto.”
Uma fratura nasal pode levar à obstrução crônica, desvio de septo, problemas respiratórios de longo prazo, um nariz visivelmente torto ou cirurgia reconstrutiva meses depois, se não for avaliada adequadamente. Para atletas de elite, afirmou Ardesh, o fluxo de ar pode afetar o desempenho.
“Se os pacientes não estiverem tendo um bom fluxo de ar pelo nariz, não terão um desempenho ideal”, disse.
“O objetivo da rinoplastia e da septoplastia não é apenas melhorar a estética do nariz, mas também garantir que eles tenham a melhor respiração possível.”
CONTROLANDO SANGRAMENTOS
Logo após uma pancada, os primeiros passos são controlar o sangramento e descartar lesões mais graves, inclinando-se para a frente para evitar que o sangue escorra pela garganta.
Assim que o atleta chega ao especialista, uma preocupação urgente é o hematoma septal — sangramento dentro da parede que divide o nariz. Se não for tratado, pode interromper o fluxo sanguíneo para a cartilagem e causar uma deformidade em formato de sela.
O inchaço pode dificultar a avaliação das fraturas nas primeiras horas após o impacto. Se a lesão parecer mais do que leve, disse Ardesh, pode ser necessário realizar exames de imagem para verificar se há fraturas na órbita, na maçã do rosto ou na mandíbula, além de concussão.
No caso de uma fratura nasal isolada, ele pode esperar de uma a duas semanas para que o inchaço diminua antes de reposicionar os ossos. Cirurgias mais definitivas, incluindo rinoplastia ou septoplastia, podem ser realizadas de três a seis meses depois, dependendo da respiração, da aparência e da função.
“O objetivo desses jogadores é voltar ao campo”, disse. “Mas precisamos avaliar todas as lesões e elaborar um plano individualizado.”
GOLEIROS EM MAIOR RISCO
Os goleiros estão especialmente expostos porque colidem com jogadores ao tentarem fazer defesas.
“Eles podem levar uma cotovelada, uma cabeçada ou um joelhada”, disse Ardesh. “Eles correm maior risco de sofrer um impacto facial direto.”
Ainda assim, ele não espera que a proteção facial obrigatória ganhe ampla aceitação em um esporte baseado em velocidade, visão e conforto. Máscaras opcionais para jogadores se recuperando de lesões fazem mais sentido, afirmou.
“Eles são lutadores”, disse Ardesh sobre os jogadores profissionais. “Eles não querem sair de campo.”
(Reportagem de Rory Carroll em Beverly Hills, Califórnia)




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