Por Rohith Nair
MIAMI, 4 Jul (Reuters) - Os jogadores da Copa do Mundo estão sofrendo um “padrão crescente de abusos” que inclui ataques racistas e discriminatórios tanto online quanto pessoalmente, afirmou neste sábado o sindicato global de jogadores Fifpro, ao exigir medidas urgentes.
Com o torneio chegando às oitavas de final, a Fifpro pediu uma ação coletiva para proteger os jogadores contra o aumento dos abusos relacionados ao escrutínio da mídia e às repercussões das partidas à medida que as seleções são eliminadas.
“Nas últimas semanas, os jogadores têm enfrentado abusos online e pessoalmente, muitos deles de caráter racista e discriminatório”, afirmou a Fifpro em comunicado.
“Tem havido intimidação e hostilidade fora de campo. Esses incidentes não são isolados; eles apontam para um padrão sistêmico que não pode continuar sendo aceito no futebol ou na sociedade."
“Os jogadores carregam nas costas as expectativas de uma nação, mas isso nunca deve ocorrer às custas de sua segurança, dignidade ou bem-estar, nem os abusos devem ser considerados como parte do jogo.”
A Fifa informou que seu Serviço de Proteção nas Redes Sociais registrou um aumento de 13 vezes nos abusos online durante a fase de grupos da Copa do Mundo, sendo que 11% deles tiveram motivação racial.
Na fase eliminatória, os jogadores holandeses Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville sofreram abusos racistas online após perderem pênaltis na derrota para o Marrocos na fase de 16 avos.
“A seleção nacional é uma extensão do local de trabalho dos jogadores e, como tal, eles devem ser protegidos”, acrescentou a Fifpro.
“Embora medidas importantes tenham sido tomadas, a Fifpro apela às partes interessadas do futebol, bem como aos atores públicos e privados, para que intensifiquem seus esforços, já que o monitoramento e a denúncia, por si sós, não podem mudar comportamentos nem prevenir danos."
“Deve haver consequências significativas para os responsáveis e um compromisso coletivo por parte de grupos, incluindo autoridades policiais, plataformas de mídia social, mídia, torcedores e o público, para reverter essa tendência.”
(Reportagem de Rohith Nair em Miami)



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