Israel anunciou a suspensão da entrada de mercadorias comerciais na Faixa de Gaza, restringindo uma das principais fontes de alimentos e materiais para abrigos no território, onde a população enfrenta insegurança alimentar às vésperas do inverno do Hemisfério Norte. A medida também eleva o temor de desabastecimento e alta dos preços.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, o COGAT, órgão militar israelense que supervisiona assuntos humanitários em Gaza, informou a interrupção das remessas. Segundo o órgão, a decisão partiu dos próprios comerciantes palestinos, que estariam insatisfeitos com taxas e ameaças do Hamas. Representantes do setor contestaram a versão e atribuíram a suspensão a Israel.
Como a entrada de produtos depende de autorização israelense nas passagens de fronteira, a interrupção tende a reduzir rapidamente a oferta. "O setor humanitário, sozinho, não consegue atender às necessidades de toda a população. Os mercados precisam estar funcionando", afirmou Shaina Low, do Conselho Norueguês para Refugiados.
Um relatório internacional sobre insegurança alimentar apontou neste ano que, embora as condições tenham melhorado desde a declaração de fome em Gaza, em agosto de 2025, a situação permanecia em nível de crise. O documento alertou que mesmo pequenas interrupções no acesso humanitário poderiam reverter os avanços.
O presidente do sindicato dos transportadores privados de Gaza, Nahed Sheheiber, negou que os comerciantes tenham interrompido os envios. "A verdade é que foram os israelenses que impuseram as restrições", disse. Após o anúncio, o sindicato se reuniu com o Ministério da Economia de Gaza e acusou Israel de usar como justificativa cobranças feitas pela pasta sobre os caminhões.
Segundo Sheheiber, o ministério exigia 10 mil shekels (cerca de US$ 3,2 mil) por caminhão. O subsecretário Khaled Al-Raqab afirmou, porém, que o valor era uma doação solicitada para custear salários de servidores, e não um imposto.
O COGAT não esclareceu se organizações de ajuda humanitária poderão ampliar as remessas para compensar a perda dos produtos comerciais. O órgão estimou que os cerca de 2 milhões de habitantes de Gaza necessitam de 250 caminhões com mercadorias por dia, abaixo dos 600 previstos como mínimo em um acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA há um ano.
Desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, mais de 74 mil palestinos morreram em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local. O ataque inicial deixou cerca de 1,2 mil mortos em Israel e 251 reféns. O ministério, ligado ao governo do Hamas, afirma que mais de 1,4 mil palestinos morreram desde o cessar-fogo; no período, ataques também mataram cinco militares israelenses. O órgão não separa civis de combatentes em suas estatísticas, consideradas geralmente confiáveis por agências da ONU e especialistas independentes.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).
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