Por Yasmine Ghania e David Lawder
CAIRO/WASHINGTON, 25 Ago (Reuters) - O Irã prometeu reagir contra a ampliação das sanções dos EUA, destinadas a isolar sua economia, manifestando confiança de que seus principais parceiros comerciais resistirão à campanha de pressão de Washington.
Quase seis meses após o início de um conflito que os EUA têm dificuldade em resolver, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, divulgou as medidas na segunda-feira, mas evitou impor as sanções mais severas.
Embora tenha afirmado que os países que continuassem a negociar com o Irã corriam o risco de serem excluídos do sistema financeiro baseado no dólar, ele se recusou a fornecer um prazo ou identificar quais países poderiam ser alvo das medidas, dizendo que lhes daria tempo para cumprir a nova diretiva.
“Por que eu iria querer destruir o sistema financeiro global?”, disse ele, quando questionado sobre por que as medidas não foram mais longe.
O Departamento do Tesouro anunciou novas sanções contra 60 pessoas físicas, entidades e embarcações, mas a lista não incluía nenhuma das instituições financeiras chinesas suspeitas de facilitar o comércio de petróleo do Irã.
“Queremos deixar claro aqui hoje que ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA”, declarou Bessent em resposta a uma pergunta sobre bancos chineses.
A China tem sido a maior compradora de petróleo iraniano há vários anos, embora o bloqueio dos portos iranianos pelos EUA tenha reduzido o fluxo de petróleo iraniano para a China desde que Washington o renovou em meados de julho.
Especialistas afirmam que Washington teme uma retaliação chinesa por quaisquer sanções contra seus bancos antes das negociações previstas para o próximo mês entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, sendo que quaisquer restrições sobre exportações chinesas de minerais essenciais são especialmente delicadas.
A China afirmou nesta terça-feira que sua cooperação com o Irã é conduzida dentro da estrutura do direito internacional e não deve ser interferida nem interrompida.
Os preços do petróleo caíram pelo segundo dia consecutivo, à medida que os operadores ignoraram o impacto das sanções, embora os participantes do mercado continuassem cautelosos quanto à capacidade contínua do Irã de interromper o transporte marítimo.
PETROLEIRO ATINGIDO PERTO DO ESTREITO DE ORMUZ
Um petroleiro foi atingido na terça-feira por um projétil não identificado e ficou inoperante a cerca de 17 km a nordeste de Ash Shishah, em Omã, local que fica na entrada do Estreito de Ormuz, informou a Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
Antes da notícia das últimas sanções, o Irã ameaçou tanto com uma possível resposta militar quanto com uma redução ainda maior nas exportações de petróleo do Golfo, em retaliação a quaisquer medidas econômicas dos EUA.
Após o anúncio das sanções, o ministro da Economia iraniano, Ali Madanizadeh, afirmou que o Irã está preparado.
“Nossa defesa não é mais tão defensiva; os inimigos devem esperar por um ataque”, disse ele à televisão estatal. Nem a China nem a Rússia “aceitaram” as medidas dos EUA, acrescentou ele, prevendo que outros países iriam resistir a elas.
O brigadeiro-general Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, prometeu golpes pesados contra os interesses vitais dos EUA e os pontos de estrangulamento de energia caso a infraestrutura do Irã seja ameaçada, informou a Press TV.
Irã e Estados Unidos assinaram um acordo provisório em junho com o objetivo de pôr fim à guerra que começou com ataques dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro, mas o acordo rapidamente fracassou e o Irã retomou os ataques, que bloquearam a maior parte das exportações de energia do Golfo.
(Reportagem adicional de Rick Noack em Islamabad, Menna Alaa El Din e Nafisa Eltahir no Cairo)



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