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Inteligência dos EUA diz que governo do Irã não corre risco de colapso, dizem fontes

Por Erin Banco e Jonathan Landay

NOVA YORK/WASHINGTON, 11 Mar (Reuters) - A inteligência dos Estados Unidos indica que a liderança do Irã ainda está praticamente intacta e não corre o risco de entrar em colapso tão cedo após quase duas semanas de bombardeios implacáveis dos EUA e de Israel, disseram três fontes familiarizadas com o assunto.

Uma "infinidade" de relatórios de inteligência fornece uma "análise consistente de que o regime não corre o risco" de entrar em colapso e "mantém o controle do público iraniano", disse uma das fontes, que assim como as outras duas, conversou sob condição de anonimato para discutir as conclusões da inteligência dos EUA.

O relatório mais recente foi concluído nos últimos dias, disse a fonte.

Com o aumento da pressão política devido à alta dos custos do petróleo, o presidente Donald Trump sugeriu que encerrará a maior operação militar dos EUA desde 2003 "em breve". Mas encontrar um fim aceitável para a guerra pode se revelar difícil caso os líderes da linha dura do Irã continuem firmemente entrincheirados.

O relatório da inteligência ressalta a coesão da liderança clerical do Irã, apesar do assassinato do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, primeiro dia dos ataques dos EUA e de Israel.

Autoridades israelenses, em discussões fechadas, também reconheceram que não há certeza de que a guerra levará o governo clerical ao colapso, disse uma autoridade de alto escalão israelense à Reuters.

As fontes enfatizaram que a situação em campo é fluida e que a dinâmica dentro do Irã pode mudar.

O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional e a Agência Central de Inteligência não quiseram comentar.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

MUDANÇA DE OBJETIVOS

Desde o início da guerra, os EUA e Israel atingiram uma série de alvos iranianos, incluindo defesas aéreas, instalações nucleares e membros da alta liderança.

O governo Trump apresentou motivos variados para a guerra. Ao anunciar o início da operação, Trump exortou os iranianos a "assumir o controle do seu governo", mas os principais assessores negaram desde então que o objetivo fosse destituir a liderança do Irã.

Além de Khamenei, os ataques mataram dezenas de autoridades de alto escalão e alguns dos mais altos comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), uma força paramilitar de elite que controla grande parte da economia.

Ainda assim, relatórios de inteligência dos EUA indicam que o IRGC e os líderes interinos que assumiram o poder após a morte de Khamenei mantêm o controle do país.

A Assembleia de Especialistas, um grupo de clérigos xiitas seniores, declarou no início desta semana o filho de Khamenei, Mojtaba, como o novo líder supremo.

Israel não tem intenção de permitir que qualquer resquício do antigo governo permaneça intacto, disse uma quarta fonte familiarizada com o assunto.

Não está claro como a atual campanha militar israelense e dos EUA derrubaria o governo.

Provavelmente seria necessária uma ofensiva terrestre que permitisse que as pessoas dentro do Irã protestassem com segurança nas ruas, disse a fonte.

O governo Trump não descartou a possibilidade de enviar tropas norte-americanas para o Irã.

PODER DE FOGO

A Reuters informou na semana passada que as milícias curdas iranianas baseadas no vizinho Iraque consultaram os EUA sobre como e se atacariam as forças de segurança do Irã na parte ocidental do país.

Essa incursão poderia pressionar os serviços de segurança do Irã no local, permitindo que os iranianos se revoltassem contra o governo.

Abdullah Mohtadi, chefe do Partido Komala do Curdistão Iraniano, parte de uma coalizão de seis partidos curdos iranianos, disse em uma entrevista nesta quarta-feira que os partidos são altamente organizados dentro do Irã e que "dezenas de milhares de jovens estão prontos para pegar em armas" contra o governo se receberem apoio dos EUA.

Mohtadi disse ter recebido relatos de dentro do Curdistão iraniano de que as unidades do IRGC e outras forças de segurança abandonaram bases e quartéis por medo de ataques dos EUA e de Israel.

"Temos testemunhado sinais tangíveis de fraqueza nas áreas curdas", disse ele.

Mas relatórios recentes da inteligência dos EUA lançaram dúvidas sobre a capacidade dos grupos curdos iranianos de sustentar uma luta contra os serviços de segurança iranianos, de acordo com duas fontes familiarizadas com essas avaliações.

A inteligência indica que os grupos não têm poder de fogo e números, avaliaram essas fontes.

O Governo Regional Curdo, que governa a região autônoma do Curdistão iraquiano onde os grupos curdos iranianos estão baseados, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Nos últimos dias, os grupos curdos iranianos pediram a altos funcionários em Washington e a parlamentares norte-americanos que os EUA lhes forneçam armas e veículos blindados, disse outra pessoa familiarizada com o assunto.

Mas Trump afirmou, no sábado, que descartou a possibilidade de grupos curdos iranianos entrarem no Irã.

(Reportagem de Erin Banco, em Nova York, e Jonathan Landay, em Washington)

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