O Haiti adiou para julho de 2027 as eleições presidenciais e legislativas previstas inicialmente para dezembro deste ano, em meio à insegurança provocada pela expansão de gangues armadas. O novo calendário eleitoral foi divulgado na quarta-feira, 28, pelo conselho eleitoral do país, enquanto El Salvador anunciou o envio de mais de 2 mil soldados para apoiar operações de segurança e resgatar militares desaparecidos no território haitiano.
Segundo o cronograma divulgado pelas autoridades, o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas será realizado em 18 de julho de 2027. O segundo turno, juntamente com as eleições locais, está previsto para 4 de outubro do mesmo ano.
Em julho, o conselho eleitoral havia marcado a votação para 13 de dezembro deste ano, mas anunciou, no início de outubro, que revisaria o calendário, sem estabelecer uma nova data. O Haiti não realiza eleições desde 2016, e seu último presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado em 2021. Desde então, sucessivos governos de transição adiaram a realização de novas eleições, citando a deterioração da segurança pública e o avanço territorial de organizações criminosas.
Desde 2024, forças estrangeiras participam de missões de segurança apoiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de auxiliar a polícia haitiana a combater as gangues e criar condições para a realização de eleições consideradas seguras e confiáveis.
Reforço militar de El Salvador
O anúncio do novo calendário eleitoral ocorre em meio à ampliação do envolvimento de El Salvador nas operações de segurança no Haiti. Na quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores salvadorenho informou que o presidente Nayib Bukele pretende enviar mais de 2 mil soldados ao país caribenho, segundo informações da agência Reuters .
A decisão ocorre pouco mais de uma semana após quatro técnicos de aeronaves salvadorenhos desaparecerem durante uma emboscada contra o veículo em que estavam, em uma área controlada por gangues nos arredores de Porto Príncipe, capital haitiana. Bukele anunciou uma operação para resgatá-los e, desde então, enviou centenas de soldados ao país, mas não detalhou a estrutura de comando, a duração da mobilização nem as atribuições das tropas.
Segundo a chancelaria salvadorenha, Bukele conversou por telefone nesta quarta-feira com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aimé, para tratar da cooperação em segurança.
Em comunicado, o gabinete do premiê confirmou a conversa e afirmou que os dois líderes reafirmaram o compromisso de ampliar a coordenação bilateral e a cooperação operacional no âmbito da Força de Supressão de Gangues, apoiada pela ONU, especialmente em operações de resgate e no enfrentamento aos desafios de segurança.
O governo haitiano, no entanto, não esclareceu se os novos contingentes salvadorenhos serão incorporados à missão internacional apoiada pelas Nações Unidas ou se atuarão de forma independente.
Aviso