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Guerra de Trump contra Irã pesa sobre economias do G7, mas não deve haver conversas duras na França

Reuters
Guerra de Trump contra Irã pesa sobre economias do G7, mas não deve haver conversas duras na França
Guerra de Trump contra Irã pesa sobre economias do G7, mas não deve haver conversas duras na França

Por Andrea Shalal

WASHINGTON, 17 Jun (Reuters) - O aumento da inflação e um salto de 30% nos preços do petróleo estão prejudicando o crescimento global, mas é improvável que os líderes das principais economias mundiais culpem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela desaceleração provocada pela guerra quando se reunirem na França para discutir a economia nesta quarta-feira.

Os líderes do G7, já abalados pelas tarifas dos EUA e pelos conflitos em torno da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da Groenlândia, criticaram publicamente a decisão de Trump de não consultá-los antes de EUA e Israel iniciarem a guerra contra o Irã no final de fevereiro, ao mesmo tempo em que alertaram sobre as prováveis repercussões econômicas.

EUA e Irã anunciaram no fim de semana que haviam chegado a um acordo para cessar os combates e reabrir o Estreito de Ormuz, o que provocou uma onda de otimismo nos mercados globais.

Mas o impacto da guerra na economia global já é evidente: ela provocou um aumento acentuado nos preços da energia, renovou as pressões inflacionárias e despertou preocupações sobre uma grave crise no abastecimento de alimentos nos países em desenvolvimento. Os bancos centrais adotaram medidas mais restritivas, com o Banco Central Europeu e o Banco do Japão elevando as taxas de juros na última semana para evitar um impacto inflacionário ainda mais acentuado.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou estar “farto” do impacto do conflito nas contas de energia, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, alertou para as consequências econômicas e sociais da guerra. O aumento dos preços também prejudicou os índices de aprovação de Starmer, do chanceler alemão, Friedrich Merz, e do presidente francês, Emmanuel Macron.

No entanto, os líderes deixaram de lado, em grande parte, as discussões sobre o impacto econômico da guerra durante a reunião do G7 desta semana, devido ao desejo de evitar um confronto com Trump, cuja cooperação eles precisam em questões que vão da Ucrânia e da Otan até o comércio.

O resultado, segundo analistas, é que o G7 — criado após o choque do petróleo de 1973 para ajudar a gerenciar crises econômicas — agora está se esquivando do principal desafio econômico mundial, o que pode minar sua própria relevância.

“As políticas dos EUA têm prejudicado a atividade econômica mundial”, afirmou Marcello Estevão, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais.

“Temos um país com a maior economia minando o que poderia ter sido uma agenda de colaboração do G7”, disse ele, acrescentando que os líderes do G7 precisam reforçar a relevância do grupo em um momento em que as economias de mercados emergentes — que não fazem parte do grupo — representam uma parcela maior da economia global.

A França, em sua qualidade de presidente do G7 deste ano e empenhada em evitar conflitos, rejeitou preventivamente qualquer tentativa de emitir uma declaração final abrangente e está focada, em vez disso, em declarações sobre questões mais específicas, como desequilíbrios globais, cadeias de abastecimento de minerais essenciais e a reorientação da ajuda ao desenvolvimento para programas mais voltados para o investimento.

(Reportagem adicional de Maria Martinez em Evian-les-Bains)

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