Por Andrew Goudsward
WASHINGTON, 22 Jul (Reuters) - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos cobrou dados de Nova Jersey sobre não-cidadãos norte-americanos que, segundo o Estado, foram registrados acidentalmente para votar, enquanto o governo Trump busca utilizar esses erros em sua disputa mais ampla com os governos estaduais sobre a segurança eleitoral.
Em uma carta enviada à governadora democrata de Nova Jersey, Mikie Sherrill, o Departamento de Justiça exigiu que o Estado forneça os nomes, nacionalidades e endereços dos cerca de 6.600 não-cidadãos que foram acidentalmente registrados para votar entre 2023 e 2024.
O departamento afirmou que também quer informações sobre as 400 pessoas que, segundo Nova Jersey, votaram, incluindo quando e onde votaram.
A carta foi a mais recente iniciativa do governo Trump para pressionar Estados a entregarem dados eleitorais. Trump alegou, sem apresentar provas, que as eleições de meio de mandato de novembro -- quando seu Partido Republicano defenderá maiorias estreitas no Congresso -- poderiam ser comprometidas, a menos que medidas de segurança mais rigorosas sejam adotadas.
O Departamento de Justiça já ameaçou processar criminalmente autoridades estaduais que, conscientemente, permitirem que não-cidadãos permaneçam em suas listas eleitorais ou votem.
Um porta-voz de Sherrill não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a carta de Harmeet Dhillon, chefe da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça.
O governo Trump tem afirmado repetidamente que o voto de não-cidadãos norte-americanos representa uma grande ameaça à segurança eleitoral. Uma análise da Reuters identificou apenas 129 processos federais por voto de não-cidadãos em três décadas e constatou que muitos casos decorrem de confusão ou mal-entendidos por parte dos eleitores.
Democratas e especialistas em eleições afirmam que as tentativas de remover em massa os não-cidadãos das listas eleitorais provavelmente privarão muitos eleitores qualificados do direito de voto, incluindo novos cidadãos norte-americanos.
Sherrill revelou na terça-feira que uma falha de software adicionou cerca de 6.600 não-cidadãos às listas eleitorais de Nova Jersey, embora eles tivessem declarado não serem cidadãos norte-americanos ao solicitarem carteiras de motorista ou documentos de identidade. Sherrill afirmou que não há evidências de que o erro tenha influenciado os resultados das eleições.
Nova Jersey é um dos cerca de 30 Estados, em sua maioria liderados por democratas, contra os quais o Departamento de Justiça entrou com ação para obter dados eleitorais não-públicos, em um esforço para examinar se não-cidadãos foram autorizados a se registrar. O Departamento de Justiça perdeu todos os 16 processos decididos até o momento, embora esteja recorrendo de algumas dessas decisões.
A carta de Dhillon afirma que a divulgação na terça-feira “fornece uma base adicional” para que o governo federal examine a lista eleitoral de Nova Jersey.
Nova Jersey solicitou a um juiz que arquive o processo, argumentando que o Departamento de Justiça não possui autoridade legal para tal solicitação.
(Reportagem de Andrew Goudsward)




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