Por Pesha Magid e Rami Ayyub
QUSRA, Cisjordânia, 14 Ago (Reuters) - Os Estados Unidos querem que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condene publicamente um cerco imposto por colonos judeus em uma vila palestina, afirmaram autoridades norte-americanas e israelenses nesta sexta-feira, enquanto os colonos pressionavam os moradores montando uma nova barraca antes da chegada dos soldados israelenses, que a desmontaram.
Os colonos vêm sitiando casas em Qusra, na Cisjordânia ocupada, há quase uma semana, prendendo palestinos em uma área onde, segundo grupos de direitos humanos, os colonos estão realizando um esforço coordenado para se apropriar de mais terras, reduzindo ainda mais o território onde os palestinos pretendem estabelecer um Estado.
O cerco gerou críticas públicas dos EUA: o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, um forte defensor dos assentamentos judeus na Cisjordânia, condenou na quinta-feira os colonos que cercavam uma casa palestina, chamando-os de “terroristas israelenses”.
Uma autoridade norte-americana e uma autoridade israelense afirmaram na sexta-feira que representantes da Casa Branca estão pressionando Netanyahu a condenar publicamente o cerco.
Washington começou a protestar após saber que a casa de um palestino-americano estava sob cerco, disseram as duas autoridades, que falaram sob condição de anonimato para descrever discussões delicadas das quais tinham conhecimento.
Netanyahu não se pronunciou sobre o cerco em Qusra. Nem seu gabinete nem a Casa Branca responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
“OS COLONOS AINDA ESTÃO AQUI”
A violência dos colonos na Cisjordânia aumentou nos três anos desde os ataques de 7 de outubro contra Israel, liderados pelo Hamas.
Condenar os colonos pode ser politicamente arriscado para Netanyahu a cerca de dois meses das eleições, podendo incomodar os eleitores colonos dos quais dependem partes de sua coalizão de direita. Pesquisas de opinião mostram que Netanyahu poderia perder o poder, com suas credenciais em matéria de segurança ainda abaladas pelos ataques do Hamas de 2023.
“Estamos com muito medo”, disse Aysha Hassan, uma mulher palestina que mora em uma das três casas sitiadas na vila, em entrevista por telefone à Reuters.
“Não há nada de novo. Está assim há seis dias... os colonos ainda estão aqui.”
Hassan disse ter visto colonos embaixo da casa nas primeiras horas da manhã e compartilhou com a Reuters vídeos mostrando grupos de colonos vagando sob sua residência, que ela afirmou ter filmado da janela.
As Nações Unidas informaram que cerca de 15 palestinos, incluindo duas crianças, estavam presos dentro de suas casas, sem água nem eletricidade.



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