Por Simon Lewis e Humeyra Pamuk e Luis Jaime Acosta e Julia Symmes Cobb
BARRANQUILLA, Colômbia, 8 de setembro (Reuters) - Os Estados Unidos e a Colômbia concordaram, nesta terça-feira, em intensificar a cooperação em segurança para combater o tráfico de drogas, o crime organizado e a migração ilegal, além de impulsionar o investimento para recuperar a economia do país sul-americano, afirmou o presidente Abelardo De La Espriella, após um encontro com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Washington intensificou sua colaboração em segurança com a região em questões como migração e tráfico de drogas, em meio a um esforço para reafirmar a influência dos Estados Unidos na América Latina, que viu as forças norte-americanas capturarem o líder venezuelano Nicolás Maduro durante uma operação em Caracas no início deste ano e aumentarem a pressão econômica sobre Cuba, governada pelos comunistas.
“A Colômbia quer se consolidar novamente como o principal parceiro de segurança hemisférica dos Estados Unidos e vamos nos tornar aqui os principais parceiros na América do Sul”, afirmou De La Espriella em uma declaração à imprensa ao término de uma reunião com Rubio.
Rubio disse que Bogotá e Washington começaram a reconstruir suas relações em questões estratégicas, como a segurança, após o retrocesso ocorrido durante o governo do ex-presidente de esquerda Gustavo Petro.
“Sem dúvida, sem segurança um país não pode progredir, e as ameaças à segurança que a Colômbia enfrenta são as mesmas que enfrentamos nos Estados Unidos: as mesmas redes, os mesmos grupos criminosos”, afirmou Rubio.
O presidente colombiano anunciou que propôs ao secretário de Estado o que chamou de “Plano Patriota Século 21” para modernizar aeronaves, radares, drones, helicópteros, sistemas antidrones, defesa aérea, mobilidade, inteligência, ciberdefesa, forças especiais, bem como manutenção e operacionalidade.
“A Colômbia vai aportar recursos próprios e esperamos desenvolver, em conjunto, capacidades para enfrentar ameaças cada vez mais sofisticadas, mas precisamos do apoio e do investimento dos Estados Unidos”, disse De La Espriella.
Desde o ano 2000, os Estados Unidos financiaram o Plano Colômbia, uma estratégia de cerca de US$10 bilhões para combater o tráfico de drogas e apoiar o investimento social em regiões inóspitas com presença de grupos armados ilegais dedicados ao cultivo da folha de coca, a matéria-prima da cocaína.
De La Espriella anunciou que a Colômbia fumigará plantações de coca, destruirá laboratórios de produção de cocaína e perseguirá os chefes do tráfico, além de cumprir todos os seus compromissos como parte do “Escudo das Américas”, ao qual aderiu recentemente.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, levantou a possibilidade de ataques conjuntos contra grupos armados colombianos, afirmando que o país sul-americano autorizou operações para destruir “terroristas e redes terroristas”, incluindo grupos rebeldes como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as dissidências da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Todos os grupos armados ilegais colombianos, que se financiam com o tráfico de drogas e a extração ilícita de ouro, são considerados organizações terroristas pelos Estados Unidos.
O país sul-americano é considerado o maior produtor mundial de cocaína, e o tráfico de drogas financia grupos guerrilheiros de esquerda e gangues criminosas que controlam extensas regiões montanhosas e florestais do país e que enfrentam as Forças Armadas em meio a um conflito armado de mais de seis décadas, que já deixou cerca de meio milhão de mortos.



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