Desde 2022, quando começaram a aparecer nas imagens do telescópio espacial James Webb, uma família de objetos misteriosos batizados de "pequenos pontos vermelhos" vem intrigando os astrônomos. Espalhados por praticamente todas as regiões observadas do Universo jovem, esses corpos são pelo menos 100 mil vezes maiores que o Sol e surgiram nos primeiros 1,5 bilhão de anos após o Big Bang. Desde então, a ciência tenta entender o que são, por que eram tão comuns naquela época e por que praticamente desapareceram do Universo atual.
A explicação que vem ganhando força é a de que esses pontos seriam, na verdade, "estrelas de buraco negro": buracos negros embrulhados em uma densa camada de gás ionizado e muito quente, que brilha de maneira parecida com a de uma estrela à medida que se expande. A tonalidade avermelhada característica viria justamente dessas camadas de gás, que avermelham a luz emitida — um efeito semelhante ao que pinta o céu de laranja durante o pôr do sol. Enquanto consomem esse envelope gasoso, os objetos vão perdendo brilho até sumir de vista.
Um dos exemplos mais marcantes é o objeto MoM-BH*-1, identificado em imagens do James Webb de 2023 e descrito em um estudo recém-publicado. Ele foi observado apenas 660 milhões de anos depois do Big Bang, o que o coloca entre os mais antigos já conhecidos. A análise da sua luz revela uma marca típica de nuvens densas de hidrogênio absorvendo radiação de alta energia — uma pista forte de que ali existe um buraco negro crescendo cercado por gás. A abundância desses corpos no Universo primitivo também combina com a presença dos buracos negros supermassivos, com massa de milhões a bilhões de sóis, que hoje habitam o centro das galáxias.
Segundo Rohan Naidu, pesquisador da Universidade do Havaí que liderou o trabalho, essas estruturas podem ter nascido da fusão de "estrelas supermassivas" gigantescas, cada uma com dezenas de milhares de vezes a massa do Sol, formadas por sucessivas colisões dentro de aglomerados estelares extremamente compactos. Novas observações do James Webb e a próxima geração de radiotelescópios devem ajudar a confirmar como surgiram os maiores buracos negros do cosmos e, de quebra, esclarecer enigmas antigos sobre esses aglomerados de estrelas.




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