Um estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, colidiu com a superfície lunar no início de agosto, deixando uma cratera de aproximadamente 18 metros de diâmetro e menos de 3 metros de profundidade. O impacto ocorreu em 5 de agosto, a uma velocidade estimada de 8.700 km/h, e foi registrado dias depois pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, que sobrevoou o local a cerca de 100 quilômetros de altitude.
As imagens mostram raios claros que se espalham a partir das bordas da cratera, sinal de que o impacto expôs material vindo de camadas mais profundas do subsolo lunar. Esse tipo de marca costuma aparecer em colisões recentes, antes que a poeira espacial e a radiação solar escureçam o material exposto ao longo do tempo.
O estágio do foguete deveria ter se desintegrado na atmosfera terrestre após lançar dois módulos lunares em janeiro de 2025, mas acabou entrando em uma órbita de longo alcance que o levou até as imediações da Lua. Um astrônomo amador identificou o pedaço de detrito em setembro daquele ano, o que permitiu que observatórios ao redor do mundo acompanhassem sua trajetória até a colisão. O Very Large Telescope, no Chile, chegou a detectar sódio e lítio na nuvem de poeira gerada pelo choque, e um orbitador lunar sul-coreano também flagrou a nova cratera.
O episódio reacende o debate sobre o monitoramento de lixo espacial. Hoje, agências como a Nasa acompanham principalmente asteroides e objetos maiores, enquanto redes de vigilância rastreiam satélites e fragmentos maiores de naves — mas a maior parte dos pequenos detritos que circulam pelo espaço ainda passa despercebida, até colidir com algo.



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