As derrotas dos republicanos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos deixaram o presidente norte-americano, Donald Trump, diante da perspectiva de investigações conduzidas pelos democratas e de possíveis processos de impeachment nos dois últimos anos de seu governo. Com o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, a oposição ganha instrumentos para limitar a agenda da Casa Branca, bloquear nomeações e intensificar a fiscalização sobre o Executivo.
O resultado remete ao primeiro mandato de Trump, quando os democratas assumiram a Câmara em 2018 e posteriormente abriram dois processos de impeachment contra ele. Desta vez, a maioria também no Senado amplia o poder da oposição para barrar indicações ao gabinete e a cargos vitalícios no Judiciário federal.
Entre os principais alvos de eventuais investigações estão os negócios da família Trump, a condução do caso Jeffrey Epstein pelo governo e suspeitas de corrupção envolvendo empresas privadas e integrantes do governo. O controle das comissões parlamentares dará aos democratas mais recursos e poder para exigir documentos e depoimentos.
A Casa Branca, por sua vez, poderá recorrer à estratégia do primeiro mandato, quando resistiu a solicitações do Congresso e invocou o privilégio do Executivo.
Trump já sinalizou que pretende enfrentar eventuais iniciativas legislativas dos democratas com seu poder de veto. Na terça-feira, publicou uma imagem de seu tradicional boné vermelho com a palavra "VETO" bordada.
O presidente havia apostado na própria popularidade para mobilizar eleitores republicanos, pedindo que imaginassem seu nome na cédula. A estratégia, porém, acabou transformando a votação em um julgamento de seu governo, marcado pela pressão sobre o custo de vida após a guerra contra o Irã e pela política de tarifas comerciais.
Em entrevista à Fox News exibida nesta quarta-feira, Trump atribuiu as derrotas aos candidatos republicanos e elogiou a campanha adversária. Os democratas "fizeram um bom trabalho", afirmou. "Não vejo isso como um golpe contra mim."
A AP Voter Poll mostrou que cerca de dois terços dos eleitores avaliam que as políticas de Trump pioraram a economia americana, ante aproximadamente três em cada dez que enxergam melhora. Proporção semelhante considera que suas tarifas prejudicaram a economia nacional ou local. Mais da metade dos entrevistados questionou a liderança, as prioridades e a capacidade do presidente de governar. Para cerca de seis em dez, Trump prioriza interesses pessoais acima dos do país.
A derrota republicana foi ampla. Na Câmara, os democratas conquistaram distritos vencidos por Trump em 2024 por margens de até 18 pontos porcentuais. No Senado, ganharam pelo menos sete cadeiras, em Kansas, Iowa, Texas, Ohio, Maine e nas Carolinas do Norte e do Sul.
Candidatos apoiados pessoalmente pelo presidente sofreram reveses. No Texas, o republicano Ken Paxton, que já enfrentou impeachment por acusações de corrupção, perdeu para o democrata James Talarico. Na Carolina do Norte, Michael Whatley foi derrotado por Roy Cooper. Na Carolina do Sul, Darline Graham perdeu para Annie Andrews.
No Kansas, o democrata Adam Hamilton derrotou o republicano Roger Marshall. Em Iowa, Josh Turek venceu Ashley Hinson. Já no Texas, a democrata Gina Hinojosa desbancou o governador Greg Abbott, aliado de Trump. Após a derrota, o presidente culpou Abbott e o chamou de "RINO", expressão depreciativa para "republicano apenas no nome".
As derrotas reduzem o capital político de Trump dentro e fora dos EUA e tendem a acelerar a disputa pela sucessão presidencial no Partido Republicano. Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado
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