Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 5 Ago (Reuters) - A Copel registrou lucro líquido de R$1,05 bilhão no segundo trimestre, alta de 82,6% frente ao registrado um ano antes, impulsionado pelo desempenho positivo dos negócios de comercialização e distribuição de energia, de acordo com balanço divulgado nesta quarta-feira.
O lucro recorrente, que exclui o efeito da repactuação do uso do bem público (UBP) de algumas hidrelétricas, alcançou R$645,1 milhões, 42,6% acima do registrado há um ano. Já o resultado operacional medido pelo Ebitda recorrente somou R$1,61 bilhão, aumento de 20,8% no comparativo anual.
Entre as unidades de negócio da companhia, um dos principais destaques foi a comercialização de energia, que obteve ganhos de R$75 milhões ligados à gestão do portfólio de geração.
Assim como outros geradores hidrelétricos, a Copel tem se beneficiado com modulação e arbitragem de submercados: a elétrica consegue acionar seus ativos, principalmente hidrelétricas, nos horários em que a energia é mais cara, e aproveita diferenciais de preços entre os submercados do setor.
"A gente acertou bastante na estratégia, seja nos momentos em que nós vendemos energia a preços bons.... e a gente sempre deixa um volume (descontratado) para liquidação no curto prazo", disse à Reuters o CEO da companhia, Daniel Slaviero.
Segundo ele, as hidrelétricas da companhia na Região Sul são ativos "premium" para suprir déficits de potência que surgem no sistema elétrico nacional, especialmente no fim da tarde. "Quem tem isso aproveita 'spikes' de preços", disse.
Outro destaque do trimestre foi o segmento de distribuição de energia, que registrou alta de 7,2% do mercado faturado, impulsionado por maior atividade econômica no Paraná, além de expansão da base de clientes e temperaturas mais elevadas.
NOVAS OPORTUNIDADES
A Copel encerrou o trimestre com uma alavancagem de 2,9 vezes a dívida líquida sobre Ebitda, patamar considerado "ótimo" com base nos novos parâmetros da estrutura de capital aprovados pela companhia este ano. Isso abre espaço para a companhia aproveitar eventuais "boas alocações" de capital, apontou o CEO.
O vice-presidente financeiro Felipe Gutterres lembrou que a Copel terá muito mais espaço no balanço a partir de 2030, quando se encerrarem os investimentos em expansão de capacidade hidrelétrica, mas observou que há flexibilidade para "acionar opcionalidades" até o fim desse horizonte.
Sobre oportunidades de crescimento via leilões, a tendência é que a Copel não participe nem do próximo certame de transmissão de energia, nem do que contratará baterias para o sistema elétrico brasileiro.
"Nós estamos enxergando retornos muito baixos, não atrativos, em especial por causa da alta competição... Retornos muito baixos, de um dígito, para nós não fazem sentido", disse o CEO.
(Por Letícia FucuchimaEdição de Pedro Fonseca)



Aviso