SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - A Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, estimou nesta sexta-feira que deverá elevar os recebimentos de café em 2026 para 6,8 milhões de sacas de 60 kg, em meio à expectativa de um aumento da safra de grãos arábica, afirmaram dirigentes da organização a jornalistas.
De acordo com o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, os cooperados deverão responder por 5,8 milhões de sacas recebidas pela cooperativa neste ano, enquanto 1 milhão de sacas virão de terceiros (não cooperados).
O total representa um aumento de 11,9% em relação ao que a cooperativa recebeu em 2025 --6,075 milhões de sacas de café, das quais 4,8 milhões entregues pelos cooperados.
Apesar da meta, Melo disse que gostaria de buscar 7 milhões de sacas em recebimentos para 2026. Ele afirmou ainda que a cooperativa trabalha com a expectativa de crescimento na safra de cerca de 20%, com as lavouras de arábica sendo beneficiadas pelo clima e tendo uma recuperação após anos de produtividades mais baixas.
EXPORTAÇÃO MAIOR
Em meio à expectativa de um aumento nos recebimentos, a Cooxupé revisou sua previsão de embarques totais (exportação e mercado interno) em 2026 para 6,1 milhões de sacas, versus 5,8 milhões projetados na semana passada.
Considerando apenas a exportação da Cooxupé, a previsão para 2026 passou para 5 milhões de sacas, versus 4,4 milhões de sacas estimadas na semana passada.
Com a revisão, a maior exportadora de café do Brasil deverá elevar os embarques ao exterior em 2026 em 4,2% em relação a 2025 (4,8 milhões de sacas), diferentemente da expectativa divulgada na semana passada, quando havia indicação de uma queda anual de 500 mil sacas.
Dirigentes da Cooxupé não explicaram a razão da mudança na projeção.
O presidente da cooperativa disse apenas que a cooperativa está com os estoques praticamente zerados, após uma safra menor em 2025 e forte demanda, o que exige cautela.
Ele disse ainda acreditar que, apesar da safra maior em 2026, o ano deverá ser mais difícil, considerando questões geopolíticas como a guerra no Golfo Pérsico, que gera alta de custos com diesel para o transporte rodoviário e atividades nas lavouras, além da alta do frete marítimo.
Também como efeito da guerra, Melo disse que a Cooxupé está abortando planos de ter armazenagem de café na Arábia Saudita.
(Por Roberto Samora)


