Colonos israelenses atacaram palestinos que colhiam azeitonas na Cisjordânia ocupada nesta sexta-feira, 16, em uma série de episódios que incluiu agressões físicas, incêndios de veículos e destruição de oliveiras. Ao menos seis pessoas ficaram feridas na cidade de Abu Falah, perto de Ramallah, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino. Entre os feridos está a fotógrafa Heidi Levine, do jornal americano The Washington Post .
Segundo testemunhas ouvidas pelo jornal britânico The Guardian , Levine foi derrubada e espancada por colonos mascarados durante um ataque que durou mais de dez minutos. Os agressores também roubaram seu passaporte, telefone, carteira e equipamentos de trabalho. A fotógrafa afirmou, em entrevista feita de uma cama de hospital em Ramallah, que conseguiu sobreviver porque usava colete à prova de balas e capacete. Colegas palestinos intervieram para interromper as agressões.
"De repente vi mais de 50 homens mascarados. Eles carregaram bastões de madeira e acho que também barras de ferro. Então, de repente, me atacaram", relatou.
Levine usava identificações visíveis que a caracterizavam claramente como jornalista, segundo o Washington Post . A Associação de Imprensa Estrangeira de Israel condenou o ataque e afirmou que episódios de violência contra profissionais de imprensa e civis na Cisjordânia continuam ocorrendo sem uma resposta efetiva das autoridades israelenses.
Em Abu Falah, ao menos 80 colonos se reuniram para impedir a colheita, alguns portando armas de fogo e bastões. Segundo o Guardian , eles lançaram pedras contra agricultores com o uso de estilingues, enquanto veículos militares israelenses estavam nas proximidades. Quando palestinos tentaram reagir, militares israelenses dispararam gás lacrimogêneo na direção deles.
Horas antes, também atacaram palestinos que colhiam azeitonas perto da vila de Turmus Ayya, onde três carros foram incendiados. Imagens divulgadas pela organização israelense de direitos humanos B'Tselem mostram sacos de azeitonas retirados de palestinos e levados a prensas israelenses. Ativistas afirmam que o roubo da produção agrícola atingiu uma escala sem precedentes recentes.
Violência aumenta durante a colheita
Os ataques ocorrem em meio ao aumento da violência de colonos israelenses contra palestinos durante a colheita anual de azeitonas. Segundo a organização israelense de direitos humanos Yesh Din, foram registrados ao menos 170 ataques desde 27 de setembro, período próximo ao início da temporada.
Autoridades palestinas afirmam que, no último mês, ao menos quatro palestinos foram mortos e mais de cem ficaram feridos. Milhares de oliveiras também foram danificadas. A colheita é uma fonte importante de renda para famílias palestinas, especialmente após Israel revogar permissões de trabalho de muitos moradores da Cisjordânia na sequência do ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Neste ano, Israel também impôs novas restrições à colheita em áreas da chamada Zona C, sob controle militar israelense e que concentra parte significativa das terras agrícolas da Cisjordânia. As novas regras impedem palestinos de acessar cerca de 8.800 hectares de terras agrícolas sem autorização militar, área 30% maior do que a sujeita a restrições no ano anterior.
Em contrapartida, segundo a organização israelense Peace Now, o Exército reduziu de cerca de 1.070 hectares, em 2025, para 680 hectares, em 2026, a área em que cidadãos israelenses estavam proibidos de entrar com o objetivo de prevenir a violência de colonos.
Grupos de direitos humanos afirmam que os responsáveis por agressões contra palestinos raramente são responsabilizados e acusam as forças israelenses de proteger colonos. A expansão dos assentamentos na Cisjordânia sob o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu tem provocado condenação internacional.
Procurada pelo Guardian , a Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém afirmou estar ciente dos relatos sobre o ataque, mas não comentou o caso.
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