O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta terça-feira que um bombardeio ocorrido na fronteira com o Equador deixou 27 pessoas mortas. Segundo Petro, os corpos foram encontrados carbonizados e a ação não teria sido realizada por grupos armados ilegais nem pelas forças colombianas, sugerindo que o ataque partiu do país vizinho. O líder colombiano pediu apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pressionar o governo equatoriano a esclarecer o ocorrido.
Entre os mortos estão famílias que decidiram substituir pacificamente plantações de coca por cultivos legais, como café e cacau. Petro divulgou imagens dos produtos de cacau produzidos por essas famílias, destacando que o bombardeio atingiu cidadãos envolvidos em programas de desenvolvimento alternativo e pacífico. Ele classificou o incidente como uma tragédia e criticou a explicação oficial apresentada pelo Equador, considerando-a “incrível e insuficiente”.
O ataque ocorreu um dia após o governo do presidente equatoriano Daniel Noboa lançar uma ofensiva de duas semanas para combater cartéis de drogas, com apoio militar dos Estados Unidos. As forças equatorianas mobilizaram cerca de 75 mil soldados e aplicaram toque de recolher em algumas regiões, como parte da operação coordenada por terra, ar e mar. O Equador integra o programa “Escudo das Américas”, aliança militar de 17 países americanos voltada ao combate de ameaças à segurança, da qual a Colômbia não faz parte.
Além das repercussões humanitárias, o incidente reforçou a tensão diplomática e comercial entre Bogotá e Quito. Desde fevereiro, os dois países mantêm uma disputa comercial, com imposição de tarifas e acusações mútuas sobre combate insuficiente ao narcotráfico na fronteira. Apesar de uma trégua formal após encontro na Casa Branca, a situação evidencia fragilidades na cooperação regional e o impacto direto das políticas de segurança no cotidiano das comunidades fronteiriças.

