Por Jacob Bogage e Yasmeen Abutaleb
WASHINGTON, 22 Jul (Reuters) - Autoridades de saúde dos EUA colocaram 14 cidadãos norte-americanos em quarentena em uma base militar de Nova York por quatro dias após seu recente retorno da República Democrática do Congo, onde está ocorrendo um surto de Ebola, de acordo com registros vistos pela Reuters e por duas pessoas a par da situação.
Os viajantes, que estavam voltando via Canadá, não apresentavam sintomas do Ebola e foram considerados sem risco de transmitir a doença, disseram as fontes. Não há nenhuma ordem em vigor nos EUA que impeça cidadãos de retornarem por via terrestre, embora uma ordem de “proibição de embarque” emitida neste mês exija que cidadãos norte-americanos no Congo fiquem em quarentena por pelo menos 21 dias antes de poderem retornar em um voo comercial.
Duas notificações do Departamento de Defesa afirmaram que os viajantes não poderiam retornar diretamente para os EUA, vindos do Congo, à medida que o governo Trump intensifica os esforços para impedir a entrada de indivíduos que considera em risco de terem sido expostos ao Ebola, de acordo com uma cópia de um dos memorandos e com uma das pessoas que viu o outro.
O incidente destaca as políticas sem precedentes e inconsistentes que estão sendo implementadas pelas autoridades, que prometeram impedir que o Ebola chegue aos EUA. Essas políticas têm causado preocupação entre especialistas em saúde pública e juristas, que afirmam que não é legal negar a entrada de cidadãos norte-americanos no país, mesmo que tenham sido expostos ou infectados por uma doença como o Ebola.
Houve quase 2.500 casos confirmados da rara cepa Bundibugyo do Ebola no Congo, o terceiro maior surto de Ebola já registrado, segundo dados do governo divulgados nesta quarta-feira.
O esforço para manter o Ebola fora dos EUA causou caos em todo o governo, segundo as fontes, que não estavam autorizadas a falar publicamente e se manifestaram sob condição de anonimato.
No Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), por exemplo, funcionários de carreira precisam consultar os líderes políticos da agência, caso a caso, para saber se as pessoas que chegam do Congo podem ser admitidas no país, segundo uma das fontes.
O governo Trump também construiu uma nova unidade de isolamento no Quênia e, na semana passada, sete trabalhadores humanitários norte-americanos foram colocados em quarentena no local. Além disso, enviou dois norte-americanos à Alemanha para tratamento contra o Ebola, alegando que o país ficava mais próximo do que os EUA.
Especialistas afirmam, no entanto, que as políticas de Trump podem enfrentar contestação jurídica, já que os cidadãos norte-americanos têm o direito de reentrar em seu país, embora possam ser colocados em quarentena caso tenham sido expostos a uma doença altamente infecciosa. Os EUA possuem 13 instalações de biocontenção.
James Hodge, diretor do Centro de Direito e Política de Saúde Pública da Universidade Estadual do Arizona, observou que a ordem de “proibição de embarque” se aplica a qualquer pessoa que tenha visitado o Congo, mesmo fora das áreas onde o surto de Ebola está em andamento.
“A questão seria: com base em que critério se avalia se alguém foi exposto ao Ebola? Apenas pelo fato de ter estado no Congo?”, questionou ele. “Esse não é um critério que possa resistir à maioria das investigações jurídicas.”
Emily Hilliard, porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), afirmou em comunicado que a ordem de “proibição de embarque” do departamento abrange um período de 30 dias “com a intenção de reavaliar constantemente a situação do surto, que evolui rapidamente no local”.
Ela encaminhou outras perguntas ao Departamento de Segurança Interna (DHS). Representantes do DHS se recusaram a comentar e encaminharam as perguntas ao CDC, uma agência subordinada ao HHS. A agência de saúde maior, que lida com as comunicações externas do CDC, não respondeu a uma consulta sobre o assunto.
(Reportagem de Jacob Bogage e Yasmeen Abutaleb; Edição de Caroline Humer, Edwina Gibbs e Mark Porter)



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