PEQUIM, 28 Set (Reuters) - A China e os Estados Unidos concordaram em reduzir as tarifas impostas sobre US$60 bilhões em mercadorias importadas um do outro, abrangendo uma variedade de produtos que vão do milho norte-americano aos cosméticos e dos eletrodomésticos chineses aos brinquedos.
Por meio do Conselho de Comércio EUA-China, ambos os países recomendaram, cada um, US$30 bilhões em comércio de bens não sensíveis para um tratamento tarifário mais favorável, afirmou o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado divulgado no domingo.
Para os Estados Unidos, isso significou “desbloquear um melhor acesso ao mercado” para cerca de 30% das exportações americanas para a China, disse ele.
A redução recíproca de tarifas, bem como a prorrogação de uma trégua comercial, estiveram entre os principais resultados da segunda cúpula deste ano entre o presidente Xi Jinping e o presidente dos EUA, Donald Trump, realizada em Washington na semana passada.
Uma das duas listas divulgadas pela Casa Branca mostrou que a China planejava reduzir as tarifas sobre uma variedade de produtos agrícolas dos EUA, incluindo milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas. A lista não incluía a soja.
Pequim também buscará reduzir as tarifas sobre peixes e frutos do mar, toras e produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos dos EUA.
Em outra lista constavam os cortes tarifários recíprocos de Washington para pequenos eletrodomésticos chineses, como cafeteiras e torradeiras, louças, cobertores e roupas de cama.
As listas também incluíam brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes para árvores de Natal e outras decorações festivas, além de cadeirinhas infantis para carros.
TRÉGUA COMERCIAL MAIS LONGA
O Ministério do Comércio da China afirmou nesta segunda-feira que uma prorrogação de dois meses da trégua comercial com os Estados Unidos, até 10 de janeiro, daria margem para que ambos os lados avaliassem o acordo em andamento para resolver questões econômicas e comerciais, ao mesmo tempo em que ponderam como avançar nessas frentes.
A prorrogação também proporciona um “ambiente político relativamente estável e previsível” para a cooperação entre empresas e a continuidade de discussões ativas.
Ambos os lados manterão conversações regulares sobre possíveis oportunidades e barreiras de investimento, aumentando a transparência e a previsibilidade das políticas e respondendo às preocupações das empresas, informou o ministério.
AGRICULTURA E CARVÃO
A escolha da China de produtos para a redução de tarifas parece ter sido feita para ajudar Pequim a cumprir o que a Casa Branca afirma ser um compromisso de US$17 bilhões para a compra de produtos agrícolas. A China já retomou a compra em grande escala de soja dos EUA, no âmbito de um acordo firmado no ano passado para adquirir 25 milhões de toneladas métricas anualmente.
Ambos os países criarão um grupo de trabalho sobre agricultura subordinado a um conselho comercial, que realizará sua primeira reunião antes do fim do ano para discutir o acesso mútuo aos mercados e a regulamentação, informou o Ministério do Comércio.
A cúpula presidencial também resultou em um acordo para que a China importe 10 milhões de toneladas métricas de carvão anualmente dos Estados Unidos em 2027 e 2028, segundo informou a Casa Branca. Esse volume equivale aproximadamente a 2% das importações anuais de carvão da China.
O gás natural liquefeito e o petróleo não constavam da lista.
“A importação de carvão dos EUA não é apenas um complemento benéfico para o mercado interno de carvão da China, mas também traz renda econômica estável e empregos para o setor de carvão dos EUA”, afirmou o ministério chinês.
IA, EMPRESAS FINANCEIRAS E VOOS DIRETOS
No que diz respeito à inteligência artificial, ambos os lados concordaram com um canal de comunicação para incidentes e realizarão um diálogo de acompanhamento até o final de novembro.
A China também analisará e aprovará instituições de serviços financeiros estrangeiras, incluindo aquelas com capital norte-americano, para que possam operar e abrir filiais na China.
Haverá ainda comunicação contínua sobre o aumento do número de voos entre a China e os Estados Unidos, informou o comunicado do ministério.
(Reportagem de Liz Lee e Lewis Jackson em Pequim)
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