Por Liz Lee e Xiuhao Chen
PEQUIM, 8 Mar (Reuters) - O diálogo entre os EUA e a China é vital para evitar erros de cálculo prejudiciais ao mundo, disse o principal diplomata da China neste domingo, antes de uma cúpula altamente esperada neste mês entre os líderes Xi Jinping e Donald Trump.
"A falta de engajamento entre as duas nações só levaria a mal-entendidos e julgamentos errôneos, escalando em direção ao confronto e prejudicando o mundo", disse o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, em uma coletiva de imprensa à margem de uma reunião anual do Parlamento em Pequim.
Com o presidente dos EUA concentrado na guerra que ele e Israel lançaram contra o Irã, analistas estão atentos aos sinais de que sua visita para encontrar Xi será realizada. A China não anunciou previamente a cúpula entre os líderes das maiores economias do mundo, prevista para o final do mês.
'DOUTRINA DONROE' VERSUS INICIATIVA DO CINTURÃO E DA ESTRADA
"A agenda para intercâmbios de alto nível (com os EUA) está na mesa", disse Wang. "O que é necessário é que ambos os lados façam preparativos sólidos para criar um ambiente propício para gerenciar as diferenças existentes", acrescentou, sem dar mais detalhes.
Além da guerra do Irã, que já dura uma semana e matou o líder supremo aiatolá Ali Khamenei e mais de 1.300 pessoas no país, segundo Teerã, Trump autorizou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, testando o compromisso de Pequim com seus parceiros estratégicos.
Sobre o Irã, Wang pediu a interrupção imediata das operações militares, dizendo que a guerra que não deveria ter acontecido e que o uso da força não era uma forma de resolver problemas. Ele não foi além das condenações e preocupações que Pequim já havia expressado anteriormente, apesar dos relatos de que Teerã havia se aproximado de um acordo para comprar mísseis supersônicos antinavio de Pequim.
A busca de Trump por uma "Doutrina Donroe" -- sua reformulação de uma política do século XIX que afirma a zona de influência de Washington nas Américas -- está se chocando com as iniciativas emblemáticas de Xi, o Cinturão e Rota e a Segurança Global, em elaboração há décadas e que representam um investimento político pessoal significativo para o líder chinês.
Trump também ameaçou com uma ação militar contra a Colômbia e o México e disse que o regime comunista de Cuba "parece estar pronto para cair" por conta própria, levantando questões para os países latino-americanos sobre como os laços com a China poderão protegê-los se forem postos à prova.
Wang pareceu alfinetar as ambições de política externa de Trump.
"Se a China, assim como algumas grandes potências tradicionais, estivesse interessada em criar esferas de influência em sua vizinhança, alimentando confrontos em bloco ou até mesmo transferindo problemas para seus vizinhos, a Ásia ainda seria tão estável como é hoje?", disse Wang. Ele não citou os EUA nominalmente.
Pequim se tornou mais beligerante em sua região no último ano, segundo analistas.
A China realizou grandes exercícios militares em torno de Taiwan, acirrou uma disputa diplomática com o Japão após declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi de que um ataque chinês à ilha democraticamente governada poderia desencadear uma resposta militar de Tóquio, e confrontou repetidamente navios filipinos em áreas disputadas do Mar do Sul da China.
Ainda assim, Wang procurou projetar a economia da China como uma força estabilizadora, em contraste com a assertividade militar de Trump.
(Reportagem de Liz Lee e Xiuhao Chen; texto de Joe Cash)

