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Cansados da guerra, moradores de Kiev desafiam ameaça russa de novos ataques

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Cansados da guerra, moradores de Kiev desafiam ameaça russa de novos ataques
Cansados da guerra, moradores de Kiev desafiam ameaça russa de novos ataques

Por Yurii Kovalenko

KIEV, 26 Mai (Reuters) - Moradores de Kiev, cansados do conflito, estão ignorando a ameaça de Moscou de uma onda de ataques pesados contra a capital ucraniana como se não fosse novidade após anos de guerra, demonstrando uma confiança desafiadora em continuar.

A Rússia disse na segunda-feira que pretende lançar "ataques sistemáticos" contra alvos em Kiev e pediu aos estrangeiros e diplomatas que deixem o país.

Mas, apesar de um dos bombardeios mais pesados da guerra em Kiev há dois dias, os moradores entrevistados pela Reuters permaneceram determinados.

"Acho que essas ameaças são manipulação: mais voltadas para semear o pânico entre o público", disse Oleksandr Korzh, um ex-militar de 43 anos, à Reuters em Kiev.

"Ficarei na Ucrânia e ficarei em Kiev."

A Rússia tem atacado cidades ucranianas, incluindo Kiev, regularmente desde sua invasão em grande escala em 2022.

Um bombardeio pesado de mísseis e drones no domingo matou três pessoas, feriu mais de 90 e danificou cerca de 300 locais em toda a cidade, disseram as autoridades ucranianas.

Um ataque em 14 de maio matou 24 civis em Kiev.

"Honestamente, nosso povo está cansado disso, e eu também estou cansado dessa guerra", declarou Viktoriia Paramonova, 21 anos, barista em um café danificado pelos ataques de domingo.

RETALIAÇÃO

A Rússia disse que o ataque de domingo foi uma retaliação a um ataque de drone ucraniano na sexta-feira em um dormitório estudantil na região de Luhansk, ocupada pela Rússia, no leste da Ucrânia. Os militares ucranianos disseram que o ataque atingiu uma unidade de drones russos.

A Ucrânia tem enviado drones de longo alcance às profundezas da Rússia para atacar instalações de petróleo e gás, em uma tentativa de sufocar os recursos que sustentam sua máquina de guerra.

Kiev também tem como alvo a logística militar e os centros de comando e controle dentro do território ucraniano ocupado pela Rússia.

Mykola Bielieskov, do Instituto Nacional de Estudos Estratégicos da Ucrânia, duvidou que a Rússia pudesse aumentar drasticamente o ritmo e a escala dos ataques aéreos.

"Portanto, para ataques combinados na escala de 13-14 de maio ou 23-24 de maio, eles precisam acumular mísseis, pois não há capacidade ociosa, pessoas e dinheiro na Rússia para produzir muito mais do que a taxa de produção de mísseis alcançada em 2024-25", disse ele.

As ameaças russas são "fanfarronice", declarou Bielieskov, para desviar a atenção dos reveses. No campo de batalha, seus avanços diminuíram nos últimos meses, enquanto os ataques ucranianos à infraestrutura de energia forçaram a Rússia a reduzir a produção.

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