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Café fecha com forte queda, enquanto mercado continua volátil

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Café fecha com forte queda, enquanto mercado continua volátil
Café fecha com forte queda, enquanto mercado continua volátil

Por May Angel e Marcelo Teixeira

NOVA YORK, 10 Jul (Reuters) - Os preços do café fecharam em forte queda nesta sexta-feira, com o arábica registrando um recuo de até 8% nas negociações intradiárias, já que os mercados permaneceram extremamente voláteis depois que o contrato registrou seu quarto maior ganho diário já registrado no início da semana.

Os preços do cacau caíram 10% no início do dia, embora tanto o café quanto o cacau ainda tenham conseguido registrar fortes ganhos semanais. O arábica subiu 11% na semana, enquanto o cacau disparou 20%.

Participantes do mercado afirmaram que uma onda de capital especulativo em busca de investimento atingiu as commodities agrícolas no início desta semana, atraída por preocupações de que o fenômeno climático El Niño se intensifique e leve a condições meteorológicas cada vez mais adversas nas principais regiões produtoras.

A bolsa ICE, então, elevou repetidamente os requisitos de margem durante a semana — ou seja, os adiantamentos para contratos futuros de café e cacau —, limitando a liquidez no mercado e, por sua vez, aumentando a volatilidade dos preços.

“Há um vácuo de liquidez (e) muitos desses especuladores estão negociando no intraday. Eles saem do mercado no fechamento”, disse um analista de café de uma empresa multinacional de comercialização de commodities agrícolas.

As bolsas costumam aumentar as exigências de margem para reduzir o risco de os participantes deixarem de cumprir seus contratos. A ICE não respondeu a um pedido de comentário.

O café arábica fechou em queda de 13,65 centavos nesta sexta-feira, ou 3,9%, a US$3,3425 por libra-peso, após ter fechado em alta de 12,3% na quinta-feira. O contrato disparou 16% na segunda-feira.

O café robusta caiu 4,7%, para US$3.852 por tonelada. Ele registrou um ganho semanal de 4%.

O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos previu 81% de chance de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, que se classificaria entre os maiores já registrados.

No entanto, os corretores afirmaram que as chuvas excessivas associadas ao El Niño no Brasil, principal produtor de café, diminuíram nas últimas duas semanas.

Os futuros de cacau de Londres fecharam em queda de £306, ou 6,4%, nesta sexta-feira, a 4.499 libras por tonelada. Os futuros de cacau de Nova York caíram 6%, para US$ 6.065 por tonelada.

O El Niño é especialmente preocupante para o cacau, pois perturba os padrões climáticos no Equador, terceiro maior produtor, bem como na África Ocidental, onde são cultivados cerca de 70% do ingrediente do chocolate mundial.

Os futuros do cacau quase triplicaram em 2024 após a quebra da safra na África Ocidental em meio a um padrão climático do El Niño que se estendeu de meados de 2023 a meados de 2024 e foi considerado um evento de intensidade moderada a forte.

Espera-se que a próxima safra principal de 2026/27 da Costa do Marfim, principal produtora de cacau, caia mais de 10% em meio a chuvas excessivas, doenças e cuidados insuficientes com as plantações, segundo informaram contadores de vagens e exportadores sediados no país.

Entre outras commodities agrícolas negociadas, o açúcar bruto fechou em queda de 0,24 centavo, ou 1,6%, a 14,88 centavos de dólar por libra-peso, após atingir na quarta-feira a maior cotação em quase dois meses, enquanto o açúcar branco caiu 2,4%, para US$467,10 por tonelada.

(Reportagem de May Angel e Marcelo Teixeira)

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