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Cacique Megaron promete levar adiante legado do líder indígena Raoni

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Cacique Megaron promete levar adiante legado do líder indígena Raoni
Cacique Megaron promete levar adiante legado do líder indígena Raoni

Por Lais Morais e Adriano Machado

ALDEIA PYKANY, Pará, 28 Mai (Reuters) - O cacique Megaron Txucarramãe, líder de 75 anos do povo indígena Kayapó, passou décadas defendendo os direitos indígenas, desde a garantia da demarcação das terras de seu povo na Amazônia até a oposição a projetos hidrelétricos e mineração ilegal.

Agora ele está se preparando para um novo desafio: preservar o legado de seu tio e mentor, o cacique Raoni Metuktire, líder indígena de 94 anos conhecido mundialmente por sua campanha para proteger a maior floresta tropical do mundo.

O cacique Raoni foi hospitalizado várias vezes nos últimos anos e, na semana passada, voltou para casa após sete dias em tratamento intensivo por causa de uma pneumonia. Durante décadas, o cacique Raoni atuou como um representante global do movimento indígena, aparecendo ao lado de presidentes, papas e até mesmo do músico Sting durante as campanhas para salvar a floresta tropical na década de 1980. Ele e Megaron lideram comunidades Kayapó ao longo do rio Xingu, onde a Amazônia se encontra com as vastas pastagens brasileiras.

Os Kayapó entraram em contato com brasileiros não indígenas pela primeira vez na década de 1950, quando o cacique Megaron ainda era uma criança.

Pouco tempo depois, ele começou a trabalhar ao lado do cacique Raoni e agora diz que está pronto para continuar a batalha pelos direitos deles.

"Eu acompanhei tudo de perto", disse ele. "E vou continuar, continuar a luta dele". O cacique Megaron falou à Reuters na aldeia de Pykany durante uma viagem organizada pelo Greenpeace para monitorar a mineração ilegal em terras Kayapó.

REPRESENTAÇÃO NO CONGRESSO

Os esforços de Megaron ocorrem em um momento em que a Amazônia enfrenta pressão crescente. Quase um quinto da floresta tropical foi perdido para plantações, pastagens e mineração, enquanto as secas e os incêndios florestais ligados às mudanças climáticas se intensificam.

"A melhor coisa é preservar a Amazônia, preservar o que é nosso, o que pertence a todos", disse ele. "Ela ajuda as pessoas a respirar melhor, retém os ventos e evita que o calor se torne muito intenso."

Megaron afirmou que quer continuar lutando pelos Kayapó e outros povos indígenas, além de aumentar a conscientização global sobre a importância da floresta e pressionar por mais representação indígena na política brasileira.

O Congresso aprovou várias leis nos últimos anos para restringir os direitos indígenas, incluindo uma que limita a proteção das terras indígenas de determinadas comunidades.

O cacique Megaron está especialmente preocupado, segundo ele, com a possibilidade de alguém que se oponha aos direitos indígenas vencer as eleições de outubro.

O cacique Raoni apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua posse em 2023, após o governo anterior de Jair Bolsonaro, que havia se comprometido a suspender novas demarcações de terras indígenas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, deve concorrer com Lula nas eleições deste ano.

"Eles não podem nos matar com armas, mas querem aprovar leis para explorar (nossa terra), destruir nossa cultura e acabar com nossos costumes", disse ele. "Quanto mais indígenas houver no Congresso, melhor para nós."

Em 2022, sete dos 594 parlamentares eleitos para o Congresso eram Indígenas.

Ele também quer ajudar seu tio a impedir que os jovens deixem sua floresta e seus costumes para trás.

"Vocês podem aprender, podem chegar à universidade, mas não devem deixar de ser indígenas", afirmou. "Essa é a luta dele".

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