14 Mai (Reuters) - O setor petroquímico deve observar ao longo do ano uma queda na demanda global como consequência da alta de preços causada pela guerra no Irã, afirmou nesta quinta-feira o presidente da Braskem, Roberto Ramos.
"Sim, vai haver uma redução de demanda. É muito difícil estimar porque não é sobre quando o conflito vai acabar, pois teoricamente está suspenso. É sobre quando vai se resolver e quais condições que permitirão que esse conflito se resolva", disse o executivo durante teleconferência com analistas após a publicação do balanço do primeiro trimestre da companhia.
Apesar de não informar uma cifra sobre o impacto na demanda, Ramos traçou um paralelo em relação à redução estimada da demanda por petróleo, que gira entre 2% e 4%.
Ele destacou ainda que o alto custo das matérias-primas, seja nafta ou etano, deve permanecer durante alguns anos até que haja as unidades produtoras impactadas pela guerra se recuperem e voltem a produzir normalmente.
Os executivos do grupo petroquímico acrescentaram que se o conflito durar mais que seis meses pode ocorrer um impacto no crescimento de demanda global e comprimir ainda mais os spreads no médio e longo prazo.
O grupo também estima um aumento de quase 30% nos spreads de químicos do Brasil para o segundo trimestre, baseando-se em informações de consultorias externas.
A Braskem registrou um lucro líquido de R$1,45 bilhão no primeiro trimestre, mais do que duplicando o resultado positivo de R$698 milhões obtido no mesmo período do ano passado.
A companhia teve um resultado operacional medido pelo Ebitda recorrente de R$1,01 bilhão de janeiro ao final de março, queda de 24% ano a ano.
Já a receita líquida do grupo caiu 20%, alcançando R$15,49 bilhões.
As ações da Braskem subiam 3,9%, a R$12,69.
(Por Michael Susin, em Barcelona; edição de Pedro Fonseca)




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