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Astrônomos descobrem "estrela-buraco negro", um objeto nunca visto antes no universo

Astrônomos descobrem "estrela-buraco negro", um objeto nunca visto antes no universo
Ilustração de telescópio espacial observando o universo profundo

Uma equipe de astrônomos identificou um tipo de objeto cósmico nunca antes catalogado: uma espécie de "estrela-buraco negro". A descoberta foi feita com o Telescópio Espacial James Webb, que captou um ponto vermelho extremamente brilhante no universo primitivo, formado apenas algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang. O achado foi publicado em agosto na revista científica Nature e chamou atenção por combinar características que, até então, pareciam pertencer a dois tipos de corpos celestes completamente diferentes.

Batizado de MoM-BH*-1, o objeto tem o tamanho aproximado do Sistema Solar, mas emite uma quantidade de energia cerca de 100 bilhões de vezes maior do que qualquer estrela comum seria capaz de produzir. Segundo os pesquisadores, a explicação está em sua estrutura: no centro haveria um buraco negro com massa 100 mil vezes maior que a do Sol, envolto por uma densa camada de gás hidrogênio. Diferentemente das estrelas comuns, que geram energia por fusão nuclear, esse objeto brilha graças à matéria sendo continuamente engolida pelo buraco negro em seu núcleo.

A identificação só foi possível graças a sinais específicos na luz captada pelo telescópio, como uma queda abrupta de brilho em determinado ponto do espectro — a mais profunda já registrada em um objeto desse tipo — além da quase total ausência de elementos químicos além de hidrogênio e hélio. Essas pistas descartaram a hipótese de se tratar de uma estrela comum encoberta por poeira cósmica, levando os cientistas a proporem essa nova categoria híbrida de corpo celeste.

A descoberta pode ajudar a resolver um mistério que intriga astrônomos desde o início das observações do James Webb: a existência de diversos "pontinhos vermelhos" espalhados pelas imagens mais profundas do telescópio, cuja natureza ainda não havia sido explicada. Se a hipótese se confirmar, as estrelas-buraco negro podem ter sido comuns no universo primitivo e ajudar a entender como os primeiros buracos negros supermassivos se formaram e influenciaram o surgimento de galáxias, estrelas e, eventualmente, planetas.

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