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ANÁLISE-Trump enfrenta dilema sobre Irã e está travado em guerra sem saída à vista

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ANÁLISE-Trump enfrenta dilema sobre Irã e está travado em guerra sem saída à vista
ANÁLISE-Trump enfrenta dilema sobre Irã e está travado em guerra sem saída à vista

Por Matt Spetalnick

WASHINGTON, 6 Ago (Reuters) - Com a guerra do presidente norte-americano, Donald Trump, contra o Irã no sexto mês, a enxurrada de ameaças e manobras diplomáticas desta semana ressaltou o impasse cada vez mais apertado em que ele se encontra ao tentar retirar os EUA de um conflito impopular que, segundo ele afirmou inicialmente, duraria apenas algumas semanas.

Trump está dividido entre um acordo provisório que está sendo negociado por Irã e Omã — o qual daria a Teerã o controle sobre o Estreito de Ormuz, algo que o país nunca teve antes da guerra — e cumprir suas ameaças de uma escalada drástica, arriscando-se a uma crise mais prolongada.

A primeira opção, dizem os analistas, concederia ao Irã sua maior concessão desde que EUA e Israel o atacaram em 28 de fevereiro e formalizaria, pelo menos por enquanto, a supervisão da República Islâmica sobre essa importante via de transporte de petróleo, o que o governo Trump havia prometido impedir.

A segunda opção, provavelmente uma nova onda de ataques aéreos, poderia estar repleta de riscos políticos para Trump antes das decisivas eleições de meio de mandato nos EUA em novembro, ao mesmo tempo em que parece não oferecer melhores chances de sucesso do que os bombardeios anteriores, que não conseguiram colocar Teerã de joelhos.

Trump poderia, em vez disso, optar por manter o status quo instável. Isso significaria manter um bloqueio aos portos do Irã e retaliar periodicamente contra quaisquer ataques à navegação. Mas essa abordagem também não ofereceria a Trump uma saída que preservasse sua reputação de um conflito que ele havia previsto que terminaria em meados de abril.

“É um leque de opções ruins, mas Trump pode ter percebido que não pode deixar essa guerra se prolongar indefinidamente”, disse Aaron David Miller, ex-negociador para o Oriente Médio em governos democratas e republicanos. “Algo precisa mudar, e isso pode ser o reconhecimento de uma nova realidade iraniana no estreito.”

Em resposta a perguntas da Reuters, uma autoridade norte-americana disse, sob condição de anonimato, que quaisquer rotas marítimas “temporárias” seriam “sem quaisquer impedimentos”, sem que nenhuma parte supervisionasse o trânsito.

TRÁFEGO MARÍTIMO

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, insistiu que o estreito — onde o Irã tem exercido um controle quase total sobre um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito desde o início da guerra — deve permanecer uma via navegável internacional aberta, não controlada pelo Irã e livre de pedágios ou taxas.

Mas Trump já contradisse anteriormente algumas das afirmações de Rubio sobre a guerra, e analistas dizem que ele poderia fazer isso novamente.

Com os preços da gasolina nos EUA em alta, seus próprios índices de aprovação baixos e a guerra profundamente impopular entre o público norte-americano, a margem de manobra do presidente está cada vez mais limitada, afirmam eles.

À medida que o conflito se arrasta, as bravatas de Trump pouco ou nada têm feito para forçar o Irã a ceder, e analistas afirmam que parece cada vez mais provável que o próprio presidente seja quem faça as maiores concessões.

A reabertura do estreito é vista como um pré-requisito para o retorno às negociações entre o Irã e os EUA, que o governo Trump deseja concentrar no programa nuclear iraniano, o principal alvo declarado da campanha militar do presidente.

Resta saber se os EUA estariam dispostos a aceitar qualquer acordo firmado entre Irã e Omã, que ficam em lados opostos do estreito.

Os termos propostos dariam a Teerã algum controle sobre os navios que entram no Golfo pelo estreito, segundo informaram à Reuters uma fonte iraniana de alto escalão e duas autoridades regionais. Trump afirmou que um acordo para reabrir a via navegável é iminente, mas autoridades iranianas disseram que ainda há detalhes a serem resolvidos.

Mesmo que um pacto entre Irã e Omã seja selado e as negociações entre os EUA e o Irã sejam retomadas, especialistas se mostram céticos quanto às chances de um acordo de paz definitivo com base no memorando de entendimento que EUA e Irã assinaram em junho, mas que rapidamente se desfez. Esse acordo preliminar também havia concedido ao Irã algum alívio nas sanções desde o início, o que gerou críticas de alguns colegas republicanos de Trump.

Autoridades do governo Trump têm aceitado cada vez mais a ideia de que o conflito provavelmente ainda estará em andamento, de alguma forma, na época das eleições de meio de mandato, disse uma autoridade da Casa Branca sob condição de anonimato. Em alguns Estados, a votação antecipada começa já em setembro.

Isso representaria mais riscos políticos para Trump, que fez campanha para um segundo mandato com a promessa de evitar intervenções no exterior e se concentrar nas preocupações econômicas dos norte-americanos, enquanto seu Partido Republicano luta para manter o controle do Congresso.

A autoridade norte-americana disse à Reuters que as decisões de Trump sobre o Irã não são guiadas por “pesquisas de opinião voláteis”.

PRINCIPAIS OBJETIVOS DA GUERRA NÃO ALCANÇADOS

Embora Trump tenha regularmente reivindicado vitória por ter eliminado muitos dos líderes do Irã e enfraquecido suas capacidades militares, a maioria dos analistas concorda que o presidente tem enfrentado obstáculos em muitos de seus objetivos para a guerra.

Ele disse no sábado que cancelou planos para novos ataques em grande escala depois que parceiros do Oriente Médio lhe pediram para dar outra chance à diplomacia, mas, ao mesmo tempo, ameaçou atacar com força se a tentativa fracassasse.

Alguns analistas sugeriram que o recuo de Trump também pode ter sido motivado por preocupações com o esgotamento dos estoques de mísseis dos EUA. Trump, no entanto, negou que os EUA estejam ficando sem munições.

Mesmo assim, Trump emitiu uma nova mensagem contraditória ao Irã na quarta-feira. “Prefiro fazer um acordo porque não quero matar pessoas”, disse ele em um comício em Las Vegas. “Mas, em algum momento, vamos ter que fazer isso.”

O Irã alertou os aliados de Washington no Golfo de que quaisquer novos ataques dos EUA provocariam retaliação contra sua infraestrutura energética, disseram cinco fontes a par das discussões.

Jonathan Panikoff, ex-oficial adjunto de inteligência dos EUA para o Oriente Médio, disse que China, Rússia e Coreia do Norte estão acompanhando de perto a situação.

“Eles estão aprendendo quais serão as limitações dos EUA nos próximos anos”, afirmou ele.

Até mesmo alguns defensores de uma linha-dura em relação ao Irã — que, em grande parte, apoiaram a ofensiva de Trump — estão aconselhando cautela.

“A República Islâmica está tentando forçar o presidente Trump a uma situação de perda mútua antes de novembro”, escreveu Behnam Ben Taleblu, da Fundação para a Defesa das Democracias, instituto anti-Irã em Washington, no X.

O governo Trump deve evitar “agir precipitadamente” e reconhecer “onde os EUA têm e onde não têm influência”, disse ele.

(Reportagem adicional de Nandita Bose)

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