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Alguns parisienses compram spray de pimenta e gás lacrimogêneo, alegando legítima defesa antes de protestos

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Alguns parisienses compram spray de pimenta e gás lacrimogêneo, alegando legítima defesa antes de protestos
Alguns parisienses compram spray de pimenta e gás lacrimogêneo, alegando legítima defesa antes de protestos

Por Elizabeth Howcroft e Ardee NAPOLITANO

PARIS, 23 Out (Reuters) - Os parisienses estão comprando cartuchos de gás lacrimogêneo e sprays de pimenta para se defenderem e protegerem seus bens durante os protestos, que devem continuar ao longo do fim de semana, disse à Reuters o proprietário de uma loja de armas na capital francesa.

A França foi atingida pelo pior levante social dos últimos anos no último fim de semana, quando protestos em todo o país contra os altos preços e a deterioração dos serviços públicos se transformaram em tumultos. Uma prefeitura foi incendiada, lojas foram saqueadas e prédios cobertos de pichações, enquanto grupos violentos entraram em confronto com a polícia em cidades por todo o país.

A polícia autorizou apenas uma manifestação sindical em Paris no sábado, rejeitando os pedidos de manifestações apresentados pela principal união estudantil da França, a Unef, e pelo movimento antissistema dos Coletes Amarelos.

Na loja de armas Armurerie de la Bourse, no centro de Paris, o proprietário Yves Gollety disse à Reuters que observou um grande aumento nas vendas de armas não letais desde o fim de semana. Lojas a apenas 30 metros de distância foram saqueadas, com suas persianas arrancadas, disse ele.

“É a primeira vez que vemos um aumento desse tipo, e em todos os segmentos da população”, disse Gollety, acrescentando que entre seus clientes estão lojistas, donos de restaurantes e pessoas físicas.

“As pessoas ficaram traumatizadas fisicamente e estão com medo”, disse ele.

Os produtos mais vendidos são sprays de pimenta e cartuchos de gás lacrimogêneo, que, segundo Gollety, só podem ser usados em legítima defesa. Gollety, que também é presidente da associação nacional de armeiros, disse ao jornal francês Le Parisien que os pedidos aumentaram dez vezes.

O público em geral só tem permissão para comprar pequenos recipientes com menos de 100 mililitros, disse Gollety. A Reuters não encontrou evidências de que as pessoas em Paris estivessem comprando outros tipos de armas em resposta aos protestos.

Alain Di Crescenzo, presidente da Câmara de Comércio da França, pediu aos lojistas que se abstivessem de usar armas para defender seus negócios. Em entrevista à emissora de rádio Europe 1 nesta sexta-feira, ele disse ter visto pessoalmente lojistas se armando com tacos de beisebol, pés-de-cabra e espingardas. A Reuters não conseguiu verificar essa informação de forma independente. 

“É extremamente preocupante”, disse ele. “Não é função deles fazer isso... Isso só aumentaria o sofrimento.”

“A polícia deve ter liberdade para fazer seu trabalho, e recomendo a máxima cautela”, acrescentou.

“É PRECISO ESTAR PREPARADO”

Um lojista que vende motos e scooters no 15º arrondissement de Paris disse à Reuters que comprou três grandes cartuchos de gás lacrimogêneo, além de outro menor, para proteger sua loja.

“Você pode ser pego de surpresa, com pessoas chegando sem qualquer aviso prévio. Por isso, é preciso estar preparado”, disse o lojista, que pediu para não ser identificado.

O governo francês prometeu reforçar a segurança e mobilizará 70 mil policiais, apoiados por unidades especializadas, para os protestos de sábado, mas o aumento no número de pessoas pensando em como se defender ilustra os temores dos parisienses à medida que o fim de semana se aproxima.

Um homem que visitava a loja de Gollety, um funcionário do setor financeiro de 58 anos que não quis se identificar, disse que havia pesquisado opções de autodefesa, embora, no fim das contas, não tivesse comprado nada nessa ocasião.

“Considerando o que aconteceu na semana passada e o risco de isso se repetir no próximo fim de semana, prefiro ser sensato e me proteger”, disse ele, acrescentando que há muito tempo tem uma sensação de insegurança.

“Venho pensando nisso há muito tempo e acho que vou tomar algumas medidas”, disse ele.

Em outra parte de Paris, Yvan Weiss, dono de uma empresa de consultoria financeira, disse à Reuters que estava tomando medidas para evitar que as vitrines de sua empresa fossem quebradas.

Questionado se considerava adquirir spray de pimenta ou outro equipamento de defesa, ele disse que havia pensado nisso, mas que, no fim, decidiu instalar persianas metálicas automáticas na fachada de sua loja.

(Reportagem de Elizabeth Howcroft, Ardee Napolitano e Stephane Nitschke; Reportagem adicional de Crispian Balmer; )

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