SÃO PAULO, 2 Jun (Reuters) - As ações do Nubank chegaram a desabar mais de 10% nesta terça-feira em Nova York, tocando uma mínima intradia desde abril do ano passado, após anunciar na véspera a troca do seu diretor financeiro, em mudança que surpreendeu analistas.
O Nubank nomeou o norte-americano Rob Livingston como seu novo CFO, em substituição a Guilherme Lago, brasileiro que ocupava o cargo desde 2021 e agora assumirá a função de conselheiro especial da diretoria executiva. Livingston, cujo último cargo foi o de diretor financeiro para a América do Norte na Visa, ingressará no Nubank em um momento no qual a instituição se prepara para expandir suas operações para além da América Latina, começando pelos Estados Unidos.
O CEO do Nubank, David Velez, disse à Reuters na véspera que a estratégia de curto prazo permanece a mesma para o Nubank, focada principalmente nos mercados atuais do Brasil, México e Colômbia, enquanto a de longo prazo é de internacionalização. "Rob traz um conhecimento muito interessante do ponto de vista internacional", disse Velez, citando a experiência do executivo com negócios nos EUA, Canadá, Ásia e Europa, e trajetória na área de crédito durante o período na Capital One.
Após o anúncio "inesperado" da mudança, analistas do Bank of America liderados por Mario Pierry cortaram a recomendação das ações do Nubank para "underperform" e o preço-alvo de US$16 para US$10. Eles destacaram que o novo CFO tem uma grande experiência, mas o "timing" adiciona incerteza, bem como ocorre após várias mudanças na administração sênior nos últimos dois anos, aumentando preocupações sobre estratégia e execução.
"Apesar de reconhecermos a forte marca do Nubank, sua ampla base de clientes, o modelo de baixo custo de aquisição e espaço para crescimento a longo prazo, acreditamos que o risco/retorno piorou", afirmaram em relatório a clientes. "Na nossa visão, a combinação de outra saída inesperada na liderança, deterioração na qualidade dos ativos, pressão sobre margens (NIM) ajustadas ao risco e menor visibilidade de lucros torna o investimento menos atraente."
O movimento de Lago é o mais recente de uma série de saídas da diretoria do Nubank desde o início do ano passado, incluindo a do ex-presidente e diretor de operações Yousseff Lahrech em maio de 2025.
Em Nova York, por volta de 12h30, as ações do Nubank caíam 7,31%, a US$12,04, tendo chegado a US$11,67 na mínima até o momento, menor cotação intradia desde abril do ano passado.
"Dado o grande número de mensagens que recebemos assim que a notícia se tornou pública, ficou claro que a mudança foi uma surpresa", afirmaram analistas do BTG Pactual liderados por Eduardo Rosman.
Eles ressaltaram que Livingston tem um currículo forte e claramente possui as habilidades necessárias para liderar a área financeira do Nubank, mas também chamaram a atenção para o momento do anúncio sobre a troca. "Em um momento de maior incerteza em torno da tese de investimento, especialmente devido às preocupações com a expansão nos EUA e com a qualidade dos ativos, a mudança adiciona outra camada de incerteza."
De acordo com os analistas do BTG, a maioria dos investidores acredita que os números serão razoáveis, mas concorda que as preocupações com a qualidade do crédito não vão desaparecer.
"O Nubank pode precisar de dois ou três trimestres com boa qualidade de ativos e melhora nas margens (NIM) ajustadas ao risco para 'convencer' os investidores", citaram, ressaltando, contudo que, se a qualidade dos ativos decepcionar e/ou o crescimento desacelerar, as preocupações irão aumentar, e existe o risco de que muitos investidores simplesmente "joguem a toalha".
Eles reiteraram a recomendação de compra para as ações do Nubank, com preço-alvo de US$21, afirmando que ainda acreditam que a instituição segue como um dos vencedores de longo prazo no setor financeiro da América Latina. Mas a carteira recomendada de ações 10 SIM do BTG para junho excluiu os papéis, que foram substituídos pelas preferenciais do Itaú Unibanco.
(Por Paula Arend Laier; edição Michael Susin)



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