Olhos lacrimejantes, pálpebras inchadas ao acordar e irritação persistente costumam ser atribuídos a alergias ou ao tempo seco. Em algumas pessoas, porém, esses sintomas podem indicar a Doença Ocular da Tireoide (DOT), pouco conhecida e que ganhou visibilidade com uma campanha de conscientização nas redes sociais.
O tema foi abordado no quadro “Leia a Bula”, do Portal do Holanda, apresentado pela farmacêutica e terapeuta Ednilza Guedes, que recebeu a médica Elen Schumann, também atuante em saúde mental. Ao abrir a conversa, a apresentadora destacou a importância de levar informação ao público. “Às vezes ninguém sabe o que são algumas doenças, mas é essencial que vocês saibam se cuidar, saibam o que está acontecendo com o seu corpo”, afirmou.
O que é a DOT
Segundo Elen Schumann, a DOT é uma doença autoimune que afeta os olhos e está fortemente associada à doença de Graves, que provoca hipertireoidismo.
Ednilza explicou o conceito de forma simples para o público leigo. “Nada mais é que o nosso mecanismo de defesa lutando contra nós mesmos, tendo o nosso corpo, as nossas células, como inimigos. Nós somos uma ameaça para nós mesmos”, resumiu.
Ao ser questionada pela apresentadora sobre os danos da doença, e se eles se limitam aos olhos ou têm relação com algum quadro sistêmico, a médica esclareceu que o dano é local. A inflamação atinge os tecidos que envolvem o globo ocular e pode empurrá-lo para a frente, causando o aspecto de “olho saltado”. A doença é classificada em leve, moderada e grave.
Sintomas e diagnóstico
Nos quadros leves, os sinais são gerais: lacrimejamento, vermelhidão, irritação e inchaço das pálpebras. Por lembrarem uma alergia comum, podem levar o paciente ao oftalmologista, que, sem conhecer o histórico, tende a tratar apenas a irritação.
Elen Schumann explicou que a suspeita costuma surgir no consultório do médico de família ou do clínico geral, geralmente os primeiros a atender o paciente. Quando o profissional identifica que a pessoa já tem uma doença autoimune da tireoide, como a de Graves, encaminha o caso ao especialista.
A médica ressaltou que não há motivo para alarme. A DOT é relativamente rara, e nem toda irritação ocular indica a doença. O alerta vale principalmente para quem já tem o diagnóstico de doença autoimune da tireoide. Em períodos de ar seco e fumaça, a irritação nos olhos é comum e, na maioria dos casos, não está ligada a uma doença ocular grave.
Efeitos irreversíveis
Um dos principais pontos de atenção é que a protrusão do olho, em geral, não regride por completo. Mesmo com o controle da inflamação, há apenas redução parcial, e o quadro tende a se tornar crônico. Isso causa desconforto físico e estético, e a doença é mais comum em mulheres do que em homens.
Tratamento e prevenção
Ao perguntar sobre prevenção e tratamento, Ednilza ouviu da médica que não existe tratamento definitivo, pois a inflamação pode retornar, como ocorre em outras doenças autoimunes. O manejo inclui:
controle rigoroso da doença da tireoide;
uso regular de colírio lubrificante;
acompanhamento com especialista.
Cigarro agrava o quadro
A médica foi enfática ao afirmar que pacientes com DOT não devem fumar. Quando a apresentadora questionou o motivo da proibição, Elen explicou que o tabagismo atua de duas formas: causa hipóxia celular, ou seja, falta de oxigenação adequada em um olho já inflamado, e favorece a inflamação por meio dos poluentes da fumaça. Quem fuma deve buscar ajuda para parar, e a rede pública oferece suporte para o tratamento.
Recados ao público
Ao final, Ednilza Guedes pediu que a médica deixasse uma orientação aos espectadores, lembrando a importância de compartilhar a informação. “É bom compartilhar, porque às vezes aquela vizinha, aquela amiga tem e não sabe”, disse.
As recomendações de Elen Schumann foram:
quem tem doença autoimune da tireoide deve informar o histórico ao oftalmologista sempre que houver sintomas oculares;
dor ou alterações nos olhos devem ser comunicadas ao médico;
fumantes devem procurar ajuda para parar de fumar.
Próximo encontro
Elen Schumann atende na UBS da Glória Deodato de Miranda Leão, no bairro da Glória, unidade que mantém programa ativo de combate ao tabagismo. A apresentadora anunciou um novo encontro sobre o tema para o fim de novembro. “A gente precisa falar sobre tabagismo. É super importante, é uma coisa que vai prevenir consequências lá na frente”, afirmou.
Ednilza Guedes pode ser acompanhada no Facebook e no Instagram, no perfil @ednilzaguedesfarma.
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