O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional decretou situação de emergência em Porteirinha, no norte de Minas Gerais, devido ao risco iminente de rompimento da Barragem das Lajes, provocado pelas intensas chuvas que atingem a região. A portaria foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União no último domingo (1º).
A barragem, situada na zona rural do município, entrou em alerta, levando a Defesa Civil de Porteirinha a emitir dois avisos extremos com ordens de evacuação para a população. “Se você estiver em uma área de risco, busque imediatamente um local seguro e evite margens de rios, barragens ou áreas alagadas”, alertou a prefeitura em suas redes sociais.
Desde o início das chuvas, o número de mortos em Minas Gerais subiu para 72. Em relação aos desabrigados, o presidente Lula anunciou que os financiamentos seguirão o modelo adotado no Rio Grande do Sul.
A prefeitura informou que a barragem apresenta um “rompimento parcial, com comprometimento superior a 90% da estrutura do sangrador”, que é a parte destinada a permitir a saída do excesso de água. Em uma transmissão ao vivo, o prefeito Silvanei Batista destacou que o volume de água registrado foi o maior desde a construção da barragem, em 1983, e que ainda há risco de rompimento, o que poderia afetar diretamente os moradores. “O estrago foi muito grande. Quero reforçar à população, especialmente aos que moram nas proximidades: o risco de rompimento da barragem continua”, advertiu.
A situação é monitorada pelo Grupo Federal de Segurança de Barragens, que inclui a Defesa Civil Nacional e representantes de órgãos estaduais e municipais. A prefeitura relatou que, na madrugada de sábado (28), foram registrados mais de 120 milímetros de chuva em apenas quatro horas, um volume superior à média histórica para o período, resultando na maior enchente na área da Barragem das Lajes em mais de 40 anos.
Até o momento, cerca de 800 pessoas podem ser desalojadas devido ao risco de rompimento total da barragem, que pode afetar aproximadamente 85 hectares na área abaixo da estrutura, com as comunidades de Lajes, Barreiro, Barroca e o distrito de Serra Branca sendo as mais vulneráveis. Até domingo, 114 pessoas de 46 residências na área de risco foram evacuadas, sendo 13 delas acolhidas em um abrigo, enquanto as demais ficaram com familiares.
Em resposta à situação, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, informou que enviou técnicos para avaliar as condições da barragem e oferecer apoio técnico, em conformidade com o termo de compromisso firmado em 1989. A Codevasf enfatizou que a gestão, operação e manutenção da Barragem das Lajes são responsabilidades do município.
Extraído de Agência Brasil

