O primeiro debate entre presidenciáveis das eleições de 2026 abriu oficialmente a temporada de confrontos televisivos da campanha, seguindo a tradição de mais de três décadas que a Band mantém desde 1989. Comandado pelos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, o encontro teve a presença de apenas três dos seis nomes convidados: Renan Santos, do Missão, Ronaldo Caiado, do PSD, e Augusto Cury, do Avante. Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema optaram por não comparecer, e seus lugares no palco foram simbolizados por púlpitos e cadeiras vazias, como havia sido combinado previamente com as respectivas campanhas. A transmissão contou com um amplo pool de veículos, incluindo Band, BandNews TV, Rádio Bandeirantes, BandNews FM, BandPlay, o canal da Band Jornalismo no YouTube, Kwai, TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan News e o jornal Estadão.
A segurança pública dominou boa parte dos embates, apontada pelos três candidatos como um dos principais gargalos do país. Renan Santos defendeu a decretação de estado de defesa, operações de Garantia da Lei e da Ordem em áreas dominadas pelo crime organizado, a construção de centenas de milhares de vagas em presídios de segurança máxima sem separação por facção e a possibilidade de intervenção federal em estados de oposição que não avancem no combate à criminalidade. Ronaldo Caiado recorreu à experiência à frente do governo de Goiás para defender o uso de inteligência artificial no policiamento, penas mais duras para feminicídio, com confisco de bens de agressores, e maior integração entre as forças de segurança, criticando a atuação do governo federal na área.
No campo econômico, os presidenciáveis criticaram o cenário fiscal do país, citando a inflação, o desajuste das contas públicas, os juros elevados e o peso do endividamento sobre as famílias. Caiado propôs o que chamou de choque de credibilidade, com corte de despesas públicas e queda da taxa de juros para atrair novamente investimentos geradores de emprego. Augusto Cury e Renan Santos, por sua vez, insistiram na desburocratização e no apoio a pequenos empreendedores, defendendo reformas estruturais para aliviar a carga tributária. Na educação, os candidatos discutiram o analfabetismo funcional e o baixo desempenho em matemática nas escolas brasileiras: Cury defendeu mudanças na gestão pedagógica e emocional das instituições de ensino e a divisão do BNDES para fortalecer micro e pequenas empresas, enquanto Caiado citou os resultados obtidos em Goiás com parcerias com o Sistema S e a ampliação de colégios de referência. Perguntas dos jornalistas também levaram o debate para a relação com os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, e para a discussão sobre a escala de trabalho 6x1, temas em que os três candidatos criticaram propostas classificadas por eles como populistas.
Nas considerações finais, Caiado apelou à trajetória de quatro décadas na vida pública para pedir o voto de confiança do eleitor, prometendo transformar a segurança, a saúde e a educação do país. Renan Santos lembrou seu histórico em movimentos de rua, criticou a polarização tradicional da política brasileira e apresentou seu conjunto de propostas, reunido no que chama de Livro Amarelo, como plano para tornar o Brasil uma das maiores potências globais. Já Augusto Cury destacou sua trajetória como psiquiatra, educador e escritor, defendendo a formação de uma equipe de gestores e técnicos qualificados para conduzir o país sem recorrer à agressividade que marcou parte do confronto.




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