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Wunsch mantém em aberto chance de alta dos juros pelo BCE em julho mesmo com acordo com Irã

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Wunsch mantém em aberto chance de alta dos juros pelo BCE em julho mesmo com acordo com Irã
Wunsch mantém em aberto chance de alta dos juros pelo BCE em julho mesmo com acordo com Irã

Por Francesco Canepa

FRANKFURT, 19 Jun (Reuters) - O Banco Central Europeu pode elevar as taxas de juros mais uma vez já no próximo mês caso detecte mais indícios de que a inflação na zona do euro está se espalhando para além do setor de energia, disse à Reuters o membro do BCE Pierre Wunsch, mesmo se o acordo entre os EUA e o Irã reduzir os preços do petróleo.

Na semana passada, o BCE elevou os custos dos empréstimos pela primeira vez em três anos. Desde então, um acordo de paz provisório entre Washington e Teerã provocou queda nos preços do petróleo, aliviando as preocupações com um choque inflacionário prolongado impulsionado pelos preços da energia.

Wunsch, que dirige o banco central da Bélgica e é frequentemente visto como um defensor de juros mais altos, disse que um acordo confirmado deve reduzir a inflação e apoiar o crescimento da zona do euro — podendo até mesmo levar a um excesso de oferta de petróleo no ano que vem.

Mas ele argumentou que o banco central da zona do euro ainda pode precisar aumentar os juros novamente se a inflação subir em setores como o de serviços — e mesmo se esse movimento acabe sendo revertido.

“Tivemos um dado não muito animador sobre a inflação nos serviços”, disse Wunsch em entrevista à Reuters, realizada na quinta-feira. Ele se referia ao aumento da taxa anual de inflação nos serviços da zona do euro, que subiu de 3,0% para 3,5% em maio.

“Se observarmos mais disso, talvez seja melhor aumentar os juros em mais 25 pontos-base por precaução; depois, será possível reduzir as taxas quando começarmos a ver a dinâmica mudando de direção.”

A taxa de depósito do BCE está atualmente em 2,25%, e os mercados financeiros esperam um novo aumento de 0,25 ponto percentual em setembro ou outubro, possivelmente seguido por mais um nos primeiros meses do próximo ano.

Fontes informaram à Reuters, após a decisão da semana passada, que as autoridades consideravam um aumento em setembro mais provável do que em julho, a menos que os preços do petróleo se recuperassem.

Wunsch disse que defenderá esperar até setembro apenas se os dados que surgirem se mostrarem inconclusivos, enfatizando a necessidade de monitorar a inflação em setores não diretamente ligados à energia, bem como os salários.

“Se os dados não estiverem indo na direção certa, eu defenderia um segundo aumento e não a espera”, disse ele.

“Mas se o que observarmos for ambíguo, não vejo necessidade de pressa.”

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