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Temores do BCE sobre inflação persistem apesar da queda no preço do petróleo

Reuters
Temores do BCE sobre inflação persistem apesar da queda no preço do petróleo
Temores do BCE sobre inflação persistem apesar da queda no preço do petróleo

SINTRA, PORTUGAL, 30 Jun (Reuters) - As autoridades Banco Central Europeu comemoraram a recente queda nos preços do petróleo nesta terça-feira, mas alertaram que os custos com energia continuam elevados e que o choque se prolongará na economia por algum tempo, alimentando as pressões sobre os preços.

O BCE elevou as taxas de juros no mês passado, e as autoridades estão avaliando se devem dar continuidade a esse aperto monetário nos próximos meses, mesmo que as perspectivas de um acordo de paz no Oriente Médio tenham levado a uma queda nos preços do petróleo desde a decisão sobre os juros de 11 de junho.

Outro movimento já está precificado pelos mercados e continua firmemente em pauta.

“Em termos do impulso inflacionário geral, o fato de termos, talvez por alguns anos, preços do petróleo acima do nível pré-guerra representa, essencialmente, um impulso de aumento de custos para a economia”, afirmou o economista-chefe do BCE, Philip Lane, à Bloomberg TV.

O presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, reconheceu que os preços da energia caíram mais rapidamente do que o BCE havia projetado, aliviando algumas pressões sobre os preços.

O cenário mais moderado do BCE previa que os preços do petróleo Brent cairiam para US$78 o barril até o final do ano, mas já estão abaixo de US$73 e os contratos futuros apontam para novas quedas.

“Tenho que admitir que a queda dos preços da energia, dos preços do petróleo, foi uma surpresa”, disse Nagel à CNBC.

No entanto, tanto Nagel quanto Lane alertaram que as restrições de oferta e a necessidade de reabastecer os estoques de petróleo podem manter os preços relativamente altos por algum tempo.

“O choque nos preços da energia que começou com o conflito no Oriente Médio ainda não acabou, continua presente no sistema. Portanto, espero que as taxas de inflação permaneçam significativamente acima da nossa meta”, disse Nagel.

O presidente do banco central belga, Pierre Wunsch, por sua vez, disse que os argumentos a favor de outro aumento de juros diminuíram.

“Talvez precisemos de outro aumento — é claro que é isso que o mercado está precificando —, mas não tanto quanto pensávamos em junho”, disse ele à Bloomberg TV. “Prefiro, se acreditarmos que precisamos de outro, agir rapidamente. Isso não significa julho.”

Os mercados financeiros estimam a chance de um aumento de juros em julho em cerca de 33%.

(Reportagem de Balazs Koranyi)

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