Início Economia Taxas de juros caem com percepção de que oferta global de petróleo não está em risco
Economia

Taxas de juros caem com percepção de que oferta global de petróleo não está em risco

Envie
Envie

Os juros futuros negociados na B3 devolveram parcialmente nesta quarta-feira, 4, a forte alta observada nas últimas duas sessões, após o acirramento do conflito no Oriente Médio.

Mesmo com o país persa tendo negado que agentes iranianos teriam procurado a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), conforme noticiado pelo The New York Times , a informação alimentou o apetite a risco e beneficiou ativos de países emergentes. Os temores de uma onda de inflação global causada por redução da oferta de petróleo também foram dissipados nesta quarta-feira, com a percepção de que o fluxo no Estreito de Ormuz será retomado em breve.

Os vértices renovaram mínimas intradia por toda a extensão da curva a termo por volta das 16h, chegando a recuar mais de 10 pontos-base a partir dos vencimentos intermediários, movimento que coincidiu com declarações da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, de que Pentágono e o Departamento de Energia do país trabalham em um plano para garantir segurança na navegação pelo estreito. Agentes ponderaram, no entanto, que os investidores já tinham informação semelhante ontem.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 13,444% no ajuste anterior para 13,41%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 12,865%, vindo de 12,931% no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2031 recuou de 13,314% no ajuste a 13,225%.

Em relatório divulgado nesta tarde, a Fitch Ratings avalia que o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, que responde por cerca de 20% do escoamento de toda a oferta global de óleo, deve ser temporário e ter efeito limitado sobre as cotações da commodity. Para a agência, não deve haver alta significativa frente à sua projeção de US$ 63 por barril para o preço médio do Brent em 2026. A estimativa foi feita em dezembro de 2025.

"O Irã não conseguiu exercer controle sobre o estreito e, apesar de o fluxo ter diminuído, a expectativa é que seja retomado em breve", afirma Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR. Assim, aponta Fonseca, os analistas deixaram em segundo plano análises de cunho geopolítico sobre o futuro do regime iraniano e se concentraram sobre o impacto de curto prazo nos mercados.

"Independente da duração do conflito, o que estava incomodando todo mundo era o petróleo alcançar patamares altos", cenário que ficou menos provável, diz o economista. Como exemplo, ele menciona que a guerra na Faixa de Gaza já dura mais de dois anos e o mercado de Israel tem conseguido isolar eventos geopolíticos de eventos econômicos de forma pragmática, o que pode ocorrer daqui em diante em relação ao conflito no Golfo, se a oferta de petróleo não for interrompida por um longo período.

Economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa concorda que o tráfego no estreito segue como "ponto nevrálgico", com paralisação do fluxo de navios e aumento nos preços de seguros de embarcações. Hoje[quarta-feira], afirma Costa, as commodities energéticas interromperam a trajetória de ascensão, respondendo à indicação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o país pode garantir o seguro e proteção para navios que cruzam o ponto, ainda que a sinalização seja vista com algum ceticismo.

Embora economistas continuem ponderando que as incertezas no cenário externo podem levar o Banco Central a uma condução mais cautelosa do ciclo de afrouxamento monetário, as apostas de redução de 0,5 ponto da Selic este mês voltaram a ganhar terreno. Nos cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, a precificação da curva apontava nesta tarde 60% de chance de corte de 50 pontos-base do juro em março. Na terça, esse porcentual estava em 45%.

"A volatilidade caiu e o câmbio voltou", comenta Serrano, reconhecendo, no entanto, que a probabilidade de um ajuste inicial menor, de 25 pontos-base, aumentou depois dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?