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Schnabel deixa BCE para ingressar no FMI e dá início a reformulação do conselho

Reuters
Schnabel deixa BCE para ingressar no FMI e dá início a reformulação do conselho
Schnabel deixa BCE para ingressar no FMI e dá início a reformulação do conselho

Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa

FRANKFURT, 24 Set (Reuters) - Isabel Schnabel renunciou na quinta-feira a seu cargo no Banco Central Europeu para assumir uma posição no Fundo Monetário Internacional, dando início a uma longa reorganização na cúpula da instituição financeira mais poderosa da Europa.

A alemã Schnabel, chefe de operações de mercado do BCE, deixará o cargo a partir de 3 de janeiro, um ano antes do término de seu mandato de oito anos, para se tornar a nova diretora do departamento de mercado do FMI, cargo que ficou vago com a saída de Tobias Adrian em 31 de agosto.

“A Sra. Schnabel não se envolverá em nenhuma questão relacionada ao FMI pelo restante de seu mandato no BCE”, informou o BCE em comunicado.

A renúncia de Schnabel dá início ao que provavelmente será uma complicada partida de xadrez político em torno de cargos cobiçados, já que o economista-chefe do BCE, Philip Lane, deve deixar o cargo em maio, e a presidente do BCE, Christine Lagarde — ela própria alvo de rumores persistentes de renúncia —, deixará o cargo até outubro próximo no máximo.

Isso sugere que a substituição de Schnabel fará parte de um acordo político mais amplo, em vez de uma nomeação isolada, já que Alemanha, Espanha, Holanda e França estão todas disputando cargos influentes no conselho.

No entanto, é improvável que a renovação na alta direção do banco tenha um impacto significativo na política monetária no curto prazo, já que a maioria dos candidatos a cargos de liderança mantém laços estreitos com o banco há anos.

É por isso que os mercados ainda esperam que o BCE continue aumentando as taxas de juros para combater a inflação elevada, com o próximo movimento previsto, muito provavelmente, para dezembro.

Embora tecnicamente qualquer país possa disputar o cargo de Schnabel, os três principais do bloco — Alemanha, França e Itália — têm um assento permanente no conselho.

No entanto, se a Alemanha simplesmente substituísse Schnabel por outro candidato, isso significaria que Berlim estaria, essencialmente, desistindo de disputar o cargo de Lagarde.

É por isso que fontes próximas ao assunto afirmam que qualquer acordo sobre a substituição de Schnabel provavelmente envolverá também as outras duas posições.

A Espanha está fazendo lobby para que o gerente geral do Banco de Compensações Internacionais, Pablo Hernández de Cos, se torne o próximo presidente do BCE, enquanto a Holanda defende Klaas Knot, ex-presidente de seu banco central.

A Alemanha estava considerando o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, para a presidência, mas seu empenho parece ter enfraquecido recentemente e o país pode optar por um cargo diferente.

Para complicar ainda mais o jogo político, a nomeação de Knot provavelmente forçaria Frank Elderson, outro holandês, a renunciar ao conselho, conforme o costume. Isso abriria uma quarta vaga, o que significaria que dois terços do conselho do BCE seriam substituídos em rápida sucessão.

Enquanto isso, a França, que já forneceu dois presidentes ao BCE — Lagarde e Jean-Claude Trichet —, espera conseguir o cargo de economista-chefe, informaram fontes anteriormente.

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