O aumento do preço do barril de petróleo e a instabilidade gerada pelo conflito no Oriente Médio já começam a pesar no bolso do brasileiro. Nesta quinta-feira (19), o petróleo atingiu US$ 115 por barril, elevando os custos de combustíveis e energia no país. Especialistas alertam que a escalada da guerra e o fechamento do Estreito de Ormuz podem gerar pressões adicionais sobre a inflação, que estava sob controle.
Em apenas uma semana, o preço médio do litro do diesel subiu mais de 11%, passando de R$ 6,08 para R$ 6,80, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “O primeiro impacto, mais imediato, será o aumento do próprio diesel. Entre os efeitos indiretos, a alta será repassada ao longo dos próximos seis meses”, afirma Fábio Romão, economista da Logos Economia.
A valorização do dólar também contribui para o encarecimento de produtos. A moeda americana chegou a R$ 5,26, uma alta de 2,5% desde o início do conflito. Especialistas explicam que, em momentos de tensão geopolítica, investidores buscam proteção em ativos considerados seguros, como o dólar, elevando seu valor e pressionando os preços de produtos importados e insumos cotados internacionalmente.
O impacto se estende à indústria, ao agronegócio e à produção de energia elétrica. O aumento no preço do diesel encarece o transporte rodoviário, enquanto fertilizantes importados do Oriente Médio e combustíveis para termelétricas também sofrem reajustes. Segundo André Braz, da FGV Ibre, “quanto mais o conflito se prolongar e comprometer o fluxo de petróleo, maior será a tendência de alta nos preços”.
Em resposta à situação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano, mas não indicou novos cortes devido à incerteza internacional. Em comunicado, o Copom ressaltou que os conflitos no Oriente Médio afetam a cadeia global de suprimentos e os preços de commodities, reforçando a necessidade de cautela na política monetária. “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, se intensificaram após o início dos conflitos”, destacou o órgão.

