Por Miranda Murray
BERLIM, 12 Mar (Reuters) - A recuperação econômica da Alemanha sofrerá apenas uma pequena desaceleração este ano desde que os preços da energia, impulsionados pela guerra contra o Irã, diminuam nos próximos meses, afirmaram três institutos nesta quinta-feira.
O instituto Ifo prevê crescimento econômico de 0,8% este ano, com base no pressuposto de que os preços do petróleo e do gás permanecerão altos apenas no curto prazo, em linha com sua previsão de dezembro. Ele vê o crescimento econômico alemão acelerando para 1,2% no próximo ano.
A maior economia da Europa expandiu em 2025 pela primeira vez em três anos, crescendo 0,2%, à medida que a confiança do consumidor melhorou, ajudado por um aumento nos gastos do governo.
RECUPERAÇÃO APESAR DO CHOQUE
"Apesar do choque no preço da energia, é provável que a recuperação na Alemanha continue ao longo deste ano", disse o chefe de previsões da Ifo, Timo Wollmershaeuser.
Ele apontou o aumento dos gastos do governo com infraestrutura, neutralidade de carbono e defesa como estímulo à demanda.
Sem a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o Ifo disse que teria aumentado a previsão para 2026 a 1,0%.
No entanto, se os preços do petróleo e do gás permanecerem altos por mais tempo, a economia da Alemanha crescerá apenas 0,6% em 2026, já que a inflação deverá atingir um pico de pouco menos de 3%, informou o instituto.
O efeito se estenderia até 2027, com um crescimento de apenas 0,8%.
PREÇOS DAS COMMODITIES
O instituto IfW reduziu sua previsão para 2026, feita em dezembro, em 0,2 ponto percentual, para 0,8%, com base no pressuposto de que os preços das commodities permanecerão elevados por apenas alguns meses.
A economia se recuperará lentamente ao longo do ano, disse o IfW, que elevou sua previsão de crescimento para o próximo ano de 1,3% para 1,4%.
O instituto RWI revisou para baixo sua previsão para este ano em 0,1 ponto, para 0,9%, e reduziu sua perspectiva para 2027 em 0,2 ponto, para 1,2%.
"A guerra do Irã demonstra como a economia alemã continua vulnerável devido à sua dependência energética", disse Torsten Schmidt, diretor de previsões do RWI.
Todos os três institutos preveem que a inflação aumentará para pelo menos 2,5% este ano, antes de diminuir novamente em 2027.
(Reportagem de Miranda Murray)

