Por Francesco Canepa e Balazs Koranyi
SINTRA, Portugal, 30 Jun (Reuters) - A queda inesperadamente rápida nos preços da energia na semana passada aliviou ainda mais a pressão sobre os formuladores de políticas do Banco Central Europeu para que aumentem as taxas de juros no mês que vem, mas os argumentos a favor de um pequeno aumento mais adiante continuam sólidos, segundo informaram quatro fontes à Reuters.
O BCE elevou as taxas de juros neste mês para evitar que um aumento repentino nos preços do petróleo, induzido por uma guerra com o Irã, elevasse as expectativas de inflação, e os formuladores de políticas estão agora debatendo a urgência de qualquer medida subsequente.
As fontes, todas com conhecimento direto da discussão, disseram estar surpresas com a rapidez com que os preços do petróleo recuaram e que os contratos futuros para vários prazos-chave estão agora até mesmo abaixo do cenário “mais moderado” do banco.
O temor de escassez de itens como combustível de aviação se revelou infundado, enquanto alguns produtores, particularmente a Arábia Saudita, aumentaram a produção de energia além do previsto para manter o abastecimento do mercado.
A China também consumiu menos petróleo do que o previsto, provavelmente porque substituiu o petróleo por outras fontes de energia de forma mais agressiva do que o esperado. Isso reforça ainda mais a hipótese de uma rápida queda nos preços da energia assim que a oferta se normalizar, afirmaram as fontes.
Um porta-voz do BCE se recusou a comentar.
Os preços do petróleo nem mesmo reagiram fortemente à escalada do conflito entre o Irã e os Estados Unidos no fim de semana, sugerindo que a normalização do mercado de energia já estava bem encaminhada, acrescentaram as fontes.
AUMENTO EM SETEMBRO AINDA É CENÁRIO MAIS PROVÁVEL
Um aumento da taxa de juros em setembro continua sendo o cenário mais provável por enquanto, mas as fontes afirmaram que os dados de inflação de junho, a serem divulgados na quarta-feira, ainda têm maior importância.
Se o índice geral realmente recuar dos 3,2%, como os mercados financeiros antecipam atualmente, então esperar até setembro seria a melhor opção, disse uma das fontes.
No entanto, uma surpresa negativa reforçaria os argumentos a favor de um rápido aumento subsequente em julho, acrescentou a fonte.
A redução das expectativas de preços dos consumidores e das empresas também reforça a ideia de que é melhor esperar um pouco antes de tomar uma nova decisão.
O BCE tem como meta uma inflação de 2%. Sua projeção de base não prevê o retorno a essa meta até o segundo semestre do próximo ano. Seu cenário mais moderado aponta para um nível bem abaixo de 2% até meados de 2027.
Os mercados financeiros agora veem apenas uma chance em três de um aumento dos juros em julho e não estão precificando totalmente um aumento até outubro.
Esse aumento subsequente, já defendido por alguns, provavelmente impedirá que o aumento do preço do petróleo se espalhe para a economia em geral, desencadeando um efeito de segunda ordem que poderia agravar a inflação.
As fontes, no entanto, concordaram que tais efeitos de segunda ordem têm sido insignificantes até o momento, mesmo que a lógica econômica indique que alguns acabarão por ocorrer.
A próxima reunião do BCE está marcada para 23 de julho.



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