A consulta semanal que o Banco Central faz a instituições financeiras, divulgada nesta segunda-feira (17), manteve em 5,02% a previsão de inflação para 2026 — o mesmo número da semana passada e ainda bem acima do teto de 4,5% que o país se comprometeu a respeitar. Para 2027 a estimativa subiu de 4,22% para 4,24%. A Selic, hoje em 14% ao ano, deve terminar 2026 em 13,75%, o que significa apenas um corte de 0,25 ponto até dezembro. O crescimento da economia neste ano foi mantido em 1,98%.
Na prática, o manauara continua convivendo com o dinheiro mais caro. Juro básico em dois dígitos é o que sustenta as taxas do rotativo do cartão, do cheque especial, do crediário das lojas do Centro e do financiamento de carro e de imóvel. Quem for comprar parcelado nos próximos meses dificilmente verá alívio: como o corte previsto é pequeno e só no fim do ano, a conta do crédito deve seguir salgada, e vale comparar o custo efetivo total antes de fechar qualquer contrato.
O outro lado da conta é o câmbio. A moeda americana encerrou a semana passada cotada a R$ 5,22, maior patamar desde março, e as projeções apontam R$ 5,20 no fim do ano. Numa cidade que vive de um parque industrial abastecido por insumos importados, o dólar em alta encarece componentes eletrônicos, eletrodomésticos, peças e boa parte do que chega às prateleiras. O efeito também aparece na passagem aérea internacional, no pacote de viagem e no combustível, cujo preço de referência acompanha o mercado externo.
Com a inflação projetada acima do limite da meta e sem sinal de queda rápida dos juros, o cenário desenhado é de orçamento apertado até o fim do ano, especialmente na cesta básica, na energia e no transporte. A próxima definição da taxa básica de juros acontece em 15 e 16 de setembro, quando o comitê do Banco Central volta a se reunir e decide se mantém ou reduz a Selic.



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