Por Alun John e Dhara Ranasinghe e Ankur Banerjee e Gertrude Chavez-Dreyfuss
LONDRES/CINGAPURA/NOVA YORK, 1 Out (Reuters) - Os títulos globais voltaram a sofrer forte pressão de venda nesta quinta-feira, levando os custos dos empréstimos dos Estados Unidos à França e ao Japão a máximas em várias décadas e ressaltando as crescentes preocupações das autoridades.
No entanto, caçadores de barganhas entraram no mercado no final da manhã nos EUA, ajudando a estabilizar o mercado. O rendimento do título de referência dos EUA recuou para cerca de 5,26% conforme os rendimentos dos Treasuries em toda a curva caíram. Ainda assim, analistas afirmam que pode haver espaço para novas vendas.
Taxas mais altas elevam os custos de financiamento para empresas e mutuários de hipotecas e forçam os governos a gastar mais com pagamentos de juros.
Os rendimentos dos títulos, que sobem quando os preços caem, dispararam globalmente à medida que os custos crescentes da energia alimentam a inflação. O boom da inteligência artificial e da construção de centros de dados aumentou a competição por capital e elevou as expectativas quanto ao crescimento econômico e o nível em que as taxas de juros de curto prazo se estabilizarão.
O rendimento do Treasury de 10 anos, parâmetro para os custos globais de financiamento e os preços dos ativos, chegou a subir para 5,34%, nível mais alto desde 2002, após registrar o maior aumento trimestral nos rendimentos neste século nos três meses encerrados em setembro.
“À medida que os rendimentos vêm subindo gradualmente, isso vai tornar as condições financeiras mais restritivas e pode aumentar o risco de uma desaceleração”, disse Danny Zaid, gestor de portfólio da TwentyFour Asset Management.
“Mas os fundamentos no momento — a economia como um todo — ainda parecem muito sólidos, embora saibamos que temos uma economia em forma de K e que a parcela mais baixa da população vem sofrendo há bastante tempo, havendo necessidade de alívio em relação aos preços mais altos do petróleo.”
Uma economia em forma de K refere-se a uma situação em que a economia apresenta desempenho desigual, com indivíduos mais ricos prosperando, enquanto trabalhadores de baixa renda continuam enfrentando dificuldades.
FRANÇA EM DESTAQUE
A França está no topo das preocupações dos investidores em títulos. Seu governo apresenta, nesta quinta-feira, um projeto de lei orçamentária para 2027 que poderá enfrentar dificuldades para aprovar no Parlamento medidas impopulares de austeridade.
Como sinal desse desafio, os custos dos empréstimos franceses de 10 anos atingiram o nível mais alto desde 2002, sendo negociados perto da marca simbólica de 5%, após registrarem o pior desempenho trimestral desde 1987 no trimestre encerrado em setembro.
O diferencial entre os custos dos empréstimos de 10 anos da França e da Alemanha está sendo negociado em torno de seu nível mais alto desde a crise da dívida da zona do euro na década de 2010, e o custo do seguro contra o risco de inadimplência da dívida francesa está no nível mais elevado desde 2013.
O Banco Central Europeu está até mesmo enfrentando questionamentos sobre se poderia ajudar a estabilizar o mercado de títulos da França, embora os participantes do mercado afirmem que isso parece improvável por enquanto.
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