Por Alun John e Tom Westbrook e Dhara Ranasinghe
LONDRES/CINGAPURA, 1 Out (Reuters) - Os títulos globais sofriam mais uma onda de vendas nesta quinta-feira, pressionando ainda mais as finanças públicas uma vez que os custos de financiamento dos EUA à França e ao Japão atingiram níveis não vistos há décadas, com repercussões em ouros mercados, incluindo o de ações.
As ações europeias eram particularmente afetadas, com o índice de referência STOXX 600 chegando a cair 1,2%, atingindo seu nível mais baixo desde junho.
O rendimento do Treasury de 10 anos, um parâmetro para os custos globais de empréstimos e preços de ativos, subiu para 5,34%, seu maior nível desde 2002, após registrar o maior aumento trimestral neste século nos três meses até setembro.
Os rendimentos sobem quando os preços dos títulos caem, e vêm aumentando em todo o mundo já que os custos crescentes da energia alimentam a inflação e que o boom da inteligência artificial e da construção de centros de dados elevam as expectativas de crescimento e sobre onde as taxas de juros de curto prazo irão se estabilizar.
Taxas mais altas aumentam os custos de financiamento para empresas e mutuários de hipotecas e forçam os governos a gastar mais com pagamentos de juros, restando menos recursos para outras finalidades.
Os títulos dos países mais endividados estão sendo vendidos com mais intensidade.
O título francês de 10 anos acaba de registrar seu pior desempenho trimestral desde 1987, e seu rendimento subia mais 10 pontos-base nesta quinta-feira, para 4,96%, aproximando-se do nível simbólico de 5%.
“Os títulos OAT franceses estão sofrendo forte pressão porque é época de orçamento e a situação está complicada. Os títulos italianos também estão sendo duramente atingidos”, disse Tim Graf, chefe de estratégia macro para a região EMEA da State Street.
Em mais um sinal de preocupação com a França, o custo do seguro contra o risco de inadimplência da dívida do país subiu para o nível mais alto desde 2013.
O rendimento dos títulos públicos britânicos de 30 anos subiu para mais de 6%, atingindo seu maior nível desde 1998.
No Japão, onde a inflação finalmente está se consolidando após uma batalha de décadas contra a deflação, os rendimentos dos títulos soberanos registraram um quinto trimestre consecutivo de ganhos de dois dígitos, algo sem precedentes.
Operadores se apressaram em reverter as expectativas anteriores de cortes nas taxas de juros dos Estados Unidos neste ano. Após um aumento no mês passado, eles agora esperam pelo menos mais três altas dos juros pelo Federal Reserve até meados de 2027.
O Banco Central Europeu elevou as taxas duas vezes este ano e os mercados estão precificando mais três aumentos de 25 pontos-base até meados do próximo ano.
Analistas afirmaram que não parece ter havido um gatilho imediato para o movimento desta quinta-feira, com os preços do petróleo relativamente contidos acima de US$100 o barril e sem novos dados econômicos para assustar os mercados.
A liquidação de títulos também começou a pesar sobre outras classes de ativos nesta quinta-feira. As ações do setor bancário na Europa caíram até 3%,, enquanto no mercado de crédito, um índice de swaps de default de títulos de alto risco, que protegem contra o risco de inadimplência, atingiu seu maior nível desde o início de abril.
(Reportagem de Tom Westbrook)
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