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PF prende 14 e confisca 67 celulares e 'muitas joias' em operação que mira CEO da Fictor e CV

A Operação Fallax, da Polícia Federal, prendeu 14 investigados por suposta ligação com o Comando Vermelho (CV) e fraudes de R$ 500 milhões contra a Caixa e outras instituições financeiras. Além das detenções - de um total de 21 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal - efetuadas ao longo desta quarta, 25, os federais confiscaram com investigados 67 celulares e 31 notebooks.

A Fallax mira o executivo Rafael Góis, CEO do Grupo Fictor. O celular dele foi recolhido.

Segundo a PF, criminosos estruturavam suas atividades por meio da criação em larga escala de pessoas jurídicas fictícias, com padrões previamente definidos - como capital social simulado, objeto social genérico e sócio único -, destinadas à obtenção fraudulenta de crédito junto a instituições financeiras.

Balanço parcial da PF mostra que, além dos equipamentos, houve apreensão de dinheiro, cheques e criptoativos - os valores ainda estão sendo totalizados - e, ainda, joias e relógios 'em grandes quantidades' em dois endereços.

A PF informou que foram recolhidos 385 'bens diversos', mais 25 documentos e uma arma de fogo.

Em nota, o Grupo Fictor afirmou que, assim que a defesa de Góis tiver acesso ao conteúdo da investigação, "prestará os esclarecimentos necessários às autoridades competentes com o objetivo de elucidar os fatos".

A investigação foi iniciada em 2024, quando a PF identificou a existência de um esquema estruturado voltado à prática de fraudes bancárias e lavagem de capitais.

O ex-sócio do Grupo Fictor Luiz Rubini também foi alvo de buscas. Ele é defendido pelo criminalista Rodrigo de Grandis. A assessoria do executivo informou que a defesa não teve conhecimento prévio do processo e se manifestará oportunamente.

A organização, de acordo com a PF, atuava mediante a cooptação de funcionários de instituições financeiras e a utilização de empresas de fachada, valendo-se, inclusive, de estrutura financeira associada para a movimentação de recursos ilícitos.

"Há indícios de que parte desses valores tinha origem em células criminosas vinculadas ao Comando Vermelho (CV)", destacou a PF.

De acordo com os investigadores, o modelo operacional do grupo previa a utilização temporária das empresas (entre um ano e um ano e meio), "com cumprimento inicial das obrigações e posterior inadimplência deliberada, dificultando a recuperação dos valores pelas instituições financeiras".

As equipes da PF fizeram buscas em 43 endereços em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, 'com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa'.

Papel do Grupo Fictor no esquema, segundo a PF

As investigações indicam que os responsáveis pelo Grupo Fictor "exerceram papel relevante e estruturante no funcionamento da organização criminosa, atuando como núcleo de sustentação financeira e operacional".

A PF informou que a atuação do grupo "consistia na injeção de recursos com o objetivo de simular movimentações financeiras entre empresas vinculadas à organização, especialmente por meio do pagamento cruzado de boletos, criando artificialmente aparência de liquidez e saúde financeira".

Ainda segundo a PF, além do aporte financeiro - que alcançou valores expressivos -, o grupo também atuava na criação e gestão de empresas de fachada. A Fictor viabilizava pagamentos cruzados para simulação de fluxo financeiro; geração artificial de faturamento; construção de histórico bancário fictício para obtenção de crédito.

Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor afirmou ter fechado um acordo para a aquisição do Banco Master, em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte, a instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada pelo Banco Central, e o negócio desfeito.

A companhia é um grupo de participações e gestão de empresas com foco na indústria alimentícia, em serviços financeiros e em infraestrutura. Ela foi fundada em 2007 como uma empresa de soluções tecnológicas.

Em fevereiro deste ano, o Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. O valor total da dívida é de R$ 4 bilhões.

No pedido de recuperação judicial protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo, a Fictor solicitou a suspensão e o bloqueio das cobranças das dívidas por um prazo de 180 dias.

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