Os neobancos se tornaram a principal porta de entrada ao crédito no Brasil, sobretudo via cartões, mas ao custo de uma taxa mais alta de inadimplência, mostra um estudo da Equifax BoaVista que avaliou mais de 165 milhões de CPFs. Nos cartões de crédito, a taxa de calotes nos bancos digitais subiu de 7,71% em 2021 para 20,31% em 2025.
O estudo "Neobanks: a nova fonte de crédito 2026", divulgado na tarde desta terça-feira, 2, mostra que entre 2021 e 2025, o saldo de crédito ativo por bancos digitais - nas modalidades cartão de crédito e empréstimo pessoal, que são de maior risco, por não terem garantias - avançou mais de 360%. Nos bancos tradicionais, o crescimento foi de 35,7%.
Em 2021, os neobancos respondiam por apenas 11,8% do total de crédito ativo no Brasil. Em 2025, passaram a representar 31,8%. Os clientes de cartões nesses bancos subiram de 25 milhões para 61 milhões no mesmo período.
O estudo mostra que os neobancos tiveram papel importante na inclusão financeira de brasileiros sem acesso ao crédito. Em 2025, 41,4% dos cartões emitidos por bancos digitais representaram o primeiro cartão de crédito das pessoas, enquanto entre os bancos tradicionais esse porcentual foi de 4,9%.
Esse avanço no crédito e na atração de clientes não veio sem custos. A inadimplência nos bancos digitais subiu mais que nos bancos tradicionais. Em cartões, o índice de inadimplência quase triplicou, chegando a 20,31% em 2025 nos neobancos. Em bancos tradicionais, caiu, baixando de 14,57% em 2021 para 13,6% em 2025.
No fim de 2025, o saldo em atraso nos cartões emitidos por bancos digitais representava 11,16% do saldo total ativo, acima dos 5,77% registrados em 2021. Em 2025, o saldo em atraso de cartões emitidos por bancos tradicionais foi de 8,75% do saldo total deste grupo.
O cenário de maior inadimplência se repete no empréstimo pessoal. Entre 2021 e 2025, os neobancos ampliaram em 113% o volume de inadimplentes nessa modalidade, segundo o estudo. O índice de clientes inadimplentes passou de 6,55% para 13,93%. Entre 2024 e 2025, o aumento da taxa de inadimplentes em empréstimo pessoal entre clientes desses bancos foi de 42%.
Outro dado que mostra o avanço dos calotes é que ao final de 2025, o saldo em atraso de empréstimo pessoal ativo por neobancos representava 10,3% do total ativo, ante 2,56% registrados em 2021. Nos bancos tradicionais, o saldo em atraso representava 2,66% do total ativo e passou a representar 3,5%.
"Os resultados mostram que os neobancos apresentam maior crescimento da inadimplência, tanto no cartão de crédito quanto nos empréstimos pessoais, na comparação com os bancos tradicionais", afirma o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa, em nota que acompanha o estudo.



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