A Multiplan - dona de uma rede com 20 shopping centers - teve lucro líquido de R$ 427,4 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 61,7% ante o mesmo período de 2025, conforme balanço publicado nesta quinta-feira, 30. O lucro foi o terceiro maior da história da companhia.
A Multiplan reportou expansão do faturamento das suas principais fontes, como locação de lojas, estacionamento e serviços, além de despesas.
Mas o que turbinou, de fato, o balanço foi um ganho de R$ 253,0 milhões em créditos de PIS/Cofins. A companhia já havia anunciado, em maio, uma revisão da metodologia de reconhecimento de créditos relacionados às contribuições de PIS/Cofins com base na lei 11.488/2007. A partir dos novos cálculos, a empresa identificou esse valor em créditos a serem apropriados - justamente o que foi computado no segundo trimestre.
"Essas oportunidades não são ganhos inesperados isolados, mas o resultado natural de uma cultura de gestão disciplinada, voltada à busca por eficiência e que cria valor de forma consistente", afirmou a administração, no documento de apresentação dos resultados.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 699,2 milhões, expansão de 52% na mesma base de comparação anual. A margem Ebitda foi a 82,6%, alta de 16 pontos porcentuais.
O FFO (lucro líquido excluindo depreciação, amortização e efeitos não caixa) chegou a R$ 515,7 milhões no trimestre, crescimento de 76,3%, enquanto a margem FFO atingiu 60,9%, melhora de 18,9 pontos porcentuais.
A receita líquida no trimestre totalizou R$ 846,8 milhões, alta de 22,0%.
A receita com locação de espaços nos shoppings no trimestre cresceu 3,2%, para R$ 441,3 milhões, impulsionada pelas expansões de shoppings inauguradas recentemente (Maceió, Morumbi e BH), além da aquisição de uma participação adicional no Barra Shopping.
A receita de estacionamentos aumentou 17%, chegando a R$ 98,7 milhões. A Multiplan reportou um aumento de 3,5% no fluxo de veículos, além de reajustes nas tarifas de estacionamento.
A receita de serviços teve alta de 19,3%, para R$ 51,2 milhões, puxadas por taxas de administração e maiores taxas de corretagem.
O faturamento com venda de imóveis caiu 78%, para R$ 37,7 milhões, devido a uma base de comparação mais forte. O balanço do mesmo período do ano passado teve a receita turbinada pela venda de um terreno em Ribeirão Preto e pela venda de apartamentos do projeto Golden Lake, cujo faturamento oscila em função da comercialização e do andamento das obras.
As despesas de propriedades (soma das despesas de shopping center e torres corporativas) totalizaram R$ 22,6 milhões no segundo trimestre, uma queda de 13,9% na comparação anual, graças a menores provisões para aluguéis e menores despesas relacionadas a espaços vagos.
Já as despesas de sede somaram R$ 58,6 milhões, alta de 13,9%.
O resultado financeiro (soma de receitas e despesas com juros) gerou uma despesa líquida de R$ 124,9 milhões, montante 7,3% menor do que um ano antes.
A Multiplan encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 4,5 bilhões, e alavancagem de 1,93 vez, ante 2,27 vezes um ano antes.
Operacional
As vendas totais dos lojistas dos shoppings da Multiplan aumentaram 7,7% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 6,7 bilhões.
As vendas no critério mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses) no trimestre aumentaram 4,3% na mesma base de comparação anual.
Os aluguéis nas mesmas lojas tiveram alta de 4,1%.
A ocupação média dos shoppings teve alta de 0,1 ponto porcentual na comparação anual, para 96,2%.
A inadimplência líquida dos lojistas ficou negativa em 1,2%. Isso aconteceu quando os pagamentos e as recuperações de valores antigos superam os novos atrasos no período.




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