Por Makiko Yamazaki e Leika Kihara
TÓQUIO, 3 Ago (Reuters) - O Japão e os Estados Unidos realizaram uma intervenção coordenada de compra de iene e não hesitarão em tomar novas medidas, informou o Ministério das Finanças do Japão nesta segunda-feira, confirmando uma ação bilateral incomum para conter a queda do iene para nova mínima em 40 anos.
A intervenção na sexta-feira ressaltou a determinação de ambos os países em evitar que uma liquidação do iene e dos títulos do governo japonês (JGBs) cause repercussões globais, como aumentar a pressão de alta sobre os rendimentos dos Treasuries, que já estavam em alta, afirmaram analistas.
A intervenção conjunta foi a primeira desde a ação coordenada de 2011 para enfraquecer o iene após o devastador terremoto no leste do Japão.
Dados do banco central indicaram nesta segunda-feira que o Japão pode ter usado até US$36,58 bilhões na compra de ienes durante a intervenção conjunta de sexta-feira.
O presidente Donald Trump afirmou no domingo que os Estados Unidos estavam ajudando o Japão a sustentar o iene como um sinal de amizade e para ajudar a economia mundial.
Além de ajudar o Japão como aliado estratégico na Ásia, a intervenção ajudaria os Estados Unidos a lidar com as preocupações sobre a fraqueza extraordinária do iene, que neutraliza o impulso gerado pelas tarifas de Trump, afirmam analistas.
No comunicado, o Ministério das Finanças do Japão afirmou que a intervenção de compra de ienes realizada na sexta-feira em conjunto com o Departamento do Tesouro dos EUA “contrariou a volatilidade excessiva e os movimentos desordenados do iene nos últimos meses”.
“Não hesitaremos em realizar novas intervenções coordenadas”, disse a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, a repórteres nesta segunda-feira.
Após o anúncio, o iene subiu mais de 1%, para 155,20 por dólar, valor mais alto desde o início de maio e bem acima da mínima de 40 anos em torno de 164 atingida no mês passado, enquanto os operadores permaneciam em alerta para novas intervenções.
Katayama se recusou a comentar quando questionada por repórteres se as autoridades haviam agido também nesta segunda-feira.
(Reportagem adicional de Steve Holland e David Lawder em Washington)



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