Por Camila Moreira
SÃO PAULO, 3 Ago (Reuters) - A indústria brasileira apresentou contração em julho após mostrar fôlego no mês anterior, uma vez que a concorrência, a retração da demanda, as pressões inflacionárias e a guerra no Oriente Médio reduziram consideravelmente os volumes de vendas, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira.
Em julho, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor industrial, compilado pela S&P Global, caiu a 47,5, de 50,8 em junho, marcando a contração mais intensa desde fevereiro. A marca de 50 separa crescimento de retração.
"A preocupação agora é que a fraqueza da indústria se espalhe para outras partes da economia. As fábricas são grandes clientes dos setores de transporte, logística, armazenagem, manutenção e serviços empresariais. Se a produção continuar caindo, a demanda por esses serviços também poderá enfraquecer, gerando um impacto mais amplo sobre o crescimento econômico", alertou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.
As novas encomendas -- maior componente do índice -- registraram a queda mais acentuada em mais de três anos, com contrações mais intensas nas categorias de bens de consumo e de bens intermediários.
A demanda internacional por produtos brasileiros voltou a se deteriorar, embora em ritmo mais fraco do que em junho, com as empresas consultadas relatando vendas menores para a China, a Europa e a América Latina.
Com a queda das encomendas tanto no mercado doméstico quanto no externo, as empresas reduziram os volumes de produção pelo terceiro mês consecutivo, no ritmo mais forte desde fevereiro.
Em resposta a esse cenário, as empresas cortaram o número de funcionários depois de cinco meses de criação de vagas. Algumas delas atribuíram as reduções no quadro de funcionários ao desempenho fraco das vendas, enquanto outras relataram falta de candidatos adequados para preencher vagas existentes.
As empresas do setor industrial sinalizaram ainda aumento dos custos em relação a junho, com itens eletrônicos, alimentos, frete, combustíveis, produtos químicos, metais e plásticos sendo apontados como mais caros.
Os aumentos de preços foram associados à guerra no Oriente Médio, ainda que eles tenham desacelerado para o menor nível em cinco meses.
A inflação dos preços cobrados pelos fabricantes recuou para o menor nível em quatro meses, enquanto a diferença entre os dois indicadores de preços foi a menor desde fevereiro.
O PMI mostrou ainda que, em julho, uma proporção maior dos participantes da pesquisa mostrou-se otimista em relação às perspectivas para a produção nos próximos 12 meses, na comparação com junho -- 66% ante 53%. Como resultado, o nível geral de confiança aumentou.
Além de projetarem uma melhora da demanda e dos investimentos após as eleições presidenciais, em outubro, as empresas esperam se beneficiar de aquisições, lançamentos de novos produtos e parcerias.



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