Embora a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) esteja preocupada com o avanço das importações de máquinas e equipamentos no País, especialmente as provenientes da China, o presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da entidade, Pedro Estevão, afirmou que, no caso específico de máquinas agrícolas, o tema ainda não configura ameaça direta ao "core" da indústria nacional. Segundo ele, o crescimento das compras externas tem se concentrado principalmente em tratores pequenos e de baixa potência - nicho em que o Brasil tem pouca ou nenhuma produção relevante.
De acordo com Estevão, as importações chinesas de máquinas agrícolas avançaram neste ano mesmo com o mercado doméstico em retração, mas o aumento ocorreu sobretudo em microtratores e modelos na faixa de 18 a 37 cavalos, e de 37 a 75 cavalos. "Não é o core da nossa indústria", disse, ao destacar que, no segmento a partir de 75 cavalos - onde está a base de produção nacional -, a elevação das importações foi pequena.
O executivo acrescentou que a entrada desses equipamentos pode estar associada a operações com ex-tarifário (redução temporária da alíquota de imposto de importação) e à expansão de programas de incentivo voltados à agricultura familiar, como o Mais Alimentos, o que abriu espaço para fornecedores externos em um mercado em que fabricantes locais não atuavam ou tinham presença incipiente. Ainda assim, ele afirmou que a Abimaq está aprofundando a análise para detalhar quais subsegmentos vêm puxando as importações, incluindo também o avanço de equipamentos vindos da Índia, e pretende consolidar um material com recorte mais preciso para divulgação ao mercado.
Aviso